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origem
O conceito de gênero é uma construção relativamente contemporânea. Suas origens remontam à ideia da “New Woman” da primeira onda feminista e — a partir da publicação de Le deuxième sexe (1949), de Simone de Beauvoir, na qual a autora francesa afirma que “não se nasce mulher, torna-se mulher” — transforma-se em um parâmetro crucial para a teoria feminista da segunda onda. No final dos anos 1960 e nos anos 1970, surgem vários ensaios que estudam a categoria de gênero, como Sexual politics (1969), de Kate Millett, e Gender and society (1972), de Ann Oakley. Essas obras coincidem em distinguir as diferenças biológicas entre os sexos das diferenças culturais, psicológicas, políticas, econômicas etc. Em 1990 Judith Butler publica Gender trouble e articula um conceito performativo de gênero, argumentando que todas as identidades são, de alguma forma, culturalmente contingentes e potencialmente fluidas. A terceira e quarta ondas do feminismo levam em consideração esse conceito performativo de gênero proposto por Butler.
outras denominações
Gênero e sexo são duas conceituações distintas. O sexo é determinado pela natureza, enquanto o gênero é aprendido, podendo ser educado, manipulado ou alterado. Em suma, o gênero é uma construção social e cultural.
resumo
Nas últimas décadas, a história, a teoria e a prática da tradução sob uma perspectiva de gênero fomentaram uma pesquisa nacional (na Espanha) e internacional fecunda e diversificada. Embora a díade mulher e tradução já existisse há séculos na literatura universal, foi nos anos 1980, no Quebec, onde começou a ser reivindicada, junto com os debates sobre a construção de gênero. Convergiram diferentes coordenadas sociais, políticas e identitárias (o feminismo anglo-saxão e francês da segunda onda, o “cultural turn” nos estudos da tradução, o pós-estruturalismo, o desconstrutivismo etc.), que impulsionaram algumas escritoras e tradutoras feministas a subverter e manipular, com sua escrita ou (re)escrita, o discurso androcêntrico dominante. No final dos anos 1990, novas iniciativas surgiram fora da América do Norte. Junto com a Itália, o Estado espanhol foi um dos primeiros lugares nos quais diferentes pesquisadoras focaram nesse objeto de estudo. Com a virada do milênio, os estudos se expandiram para outros territórios europeus, sendo introduzidos em outros continentes e, em nosso espaço geográfico, proliferaram os congressos, publicações e teses.
Em resumo, nos últimos vinte e cinco anos, o estudo da interseção mulher/gênero/tradução literária propiciou, em universidades de todo o mundo, entre outros avanços: a) recuperar tradutoras, textos e paratextos invisibilizados pelos discursos dominantes; b) questionar e exercer a crítica e a autocrítica das teorias e práticas da tradução feminista, tanto locais quanto estrangeiras; c) refletir sobre a ética e a responsabilidade das tradutoras feministas e das editoras que publicam seus textos; d) estudar a representação linguística do gênero na tradução; e) promover metáforas e mitos no feminino para substituir o discurso tradutológico androcêntrico e patriarcal que prevaleceu por tantos anos nas teorias da tradução, entre outros pontos.
A seguir, apresenta-se o estado da questão sobre as duas linhas de pesquisa mais fecundas desses últimos anos: por um lado, a historiografia feminina e feminista da tradução; por outro, a teoria e a prática da tradução feminista. Assim, somam-se e tornam-se visíveis duas histórias subalternas, relegadas pelos discursos dominantes da História com "H" maiúsculo: a história da tradução e a história das mulheres e do gênero.
ficha
| Pilar Godayol Nogué | |
| 2022 | |
| Godayol Nogué, Pilar. 2022. "Gênero (Estudos de)" @ ENTI (Enciclopédia de tradução e interpretação). AIETI. | |
| https://doi.org/10.5281/zenodo.6366969 | |
| https://www.aieti.eu/enti/gender_POR/ |