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Introdução | Bilinguismo: Conceito, processos linguísticos e controle cognitivo | Tradução: conceito, processos linguísticos e controle cognitivo | Conclusão | Potencial de pesquisa

 

Introducción  Introdução

Este verbete discute bilinguismo e tradução a partir da perspectiva da psicolinguística. Primeiramente, esclarecemos o que compreendemos por bilinguismo e tradução e, em seguida, mudamos o foco para os processos cognitivos que agem em ambos os fenômenos. Esses processos são comentados de acordo com níveis específicos de análise (fonológica, lexical, semântica e sintática). Além disso, consideramos os processos cognitivos de controle e regulação que parecem caracterizar tanto experiências bilíngues quanto tarefas de tradução cross-linguística. Nossa análise está circunscrita pela perspectiva funcionalista e pelas contribuições feitas pelos estudos behavioristas; neste momento, nosso entendimento dos processos cognitivos relacionados às duas práticas (bilinguismo e tradução) deixam de lado as mudanças neuroanatômicas que podem derivar da ativação contínua desses processos. 

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[título del epígrafe] Bilingüismo: Conceito, processos linguísticos e controle cognitivo

Conceito

No campo da psicolinguística, o foco das pesquisas sobre bilinguismo tenta observar como ser capaz de se comunicar em duas (ou mais) línguas impacta o funcionamento geral cognitivo (como em atividades não verbais). A primeira evidência de que o bilinguismo modula funções cognitivas não verbais foi encontrada por Peal e Lambert (1962). Os autores observaram que crianças bilíngues se destacaram em tarefas de inteligência verbal e não verbal quando comparadas a crianças monolíngues. Anos depois, após a observação de que crianças bilíngues também são dotadas de grande consciência metalinguística (Feldman & Shen 1971; Cummins 1978), o bilinguismo começou a ser estudado de forma sistemática e a ser definido em termos científicos. O conceito adquiriu relevância na psicolinguística e sua exploração gerou uma linha de pesquisa produtiva, variada e frequentemente heterogênea.

O bilinguismo ainda causa debate e fascina pesquisadores de diferentes áreas (alguns exemplos são a psicologia, a linguística, a tradução e a antropologia). Com o passar do tempo, a partir dos resultados obtidos, o conceito foi fragmentado em “subcategorias” mais específicas que permitem abordar as diferentes tipologias do bilinguismo, a depender dos parâmetros considerados na análise. Por exemplo, o bilinguismo pode ser concebido dependendo de como as pessoas representam as línguas que conhecem em seu sistema cognitivo (bilinguismo composto, coordenado e subordinado; Weinreich 1953);  em termos de competência ou proficiência em cada língua envolvida (bilinguismo equilibrado vs. dominante; Peal & Lambert 1962); como uma função do uso que as pessoas fazem das línguas com as quais lidam (bilinguismo aditivo vs. subtrativo; Lambert 1974),  ou pela idade e ordem da aquisição da lingua (bilinguismo precoce vs. tardio, bilinguismo simultâneo vs. sequencial; Genesee, Harmers, Lambert et al. 1978),  ou  dependendo de fatores sociodemográficos que determinam o uso da linguagem (bilinguismo opcional vs. situacional, Valdés & Figueroa 1994),  ou a relação entre conhecimento da língua e a cultura associada (bilinguismo bicultural vs. monocultural; Hamers & Blance 2000).

A vantagem implícita em definições tão diversas sobre bilinguismo é que todas as nuances envolvidas no conhecimento de uma língua nativa ou primeira língua (L1) e de uma língua estrangeira ou segunda língua (L2) podem ser abordadas. De qualquer forma, em vez de explorar essa gama de definições, este verbete procura ressaltar diferentes aspectos que, nos últimos anos, têm se destacado e parecem caracterizar o fenômeno do bilinguismo: 

  1. Bilinguismo não é uma variável categórica (monolíngue-bilíngue), mas um continuum que vai desde pessoas que conhecem apenas uma língua (monolíngues) a pessoas que podem ser consideradas monolíngues de duas línguas (ambilíngues). Entre os dois extremos desse continuum, podemos encontrar uma grande variedade de indivíduos de acordo com o grau de conhecimento de suas línguas. Além disso, esse continuum varia de acordo com as dimensões incluídas sob o guarda-chuva da língua considerada (isto é, compreensão de leitura, escuta, fala e escrita). Portanto, pode haver bilíngues com uma habilidade aprimorada para compreender informações em L2, mas habilidades reduzidas para se expressar nessa mesma língua.
  2. Uma pessoa bilíngue não é sempre bilíngue. Grosjean (2013) propôs que uma pessoa que conhece mais de uma língua pode se comportar como monolíngue ou bilíngue dependendo do contexto. Por exemplo, quando uma pessoa bilíngue engaja em uma conversa com interlocutores que falam diferentes línguas, é mais provável que ela tenha as línguas que conhece ativadas e consequentemente adote um “modo bilíngue”, já em situações em que a mesma pessoa interage em um ambiente onde apenas uma língua é falada, ela pode adotar um “modo monolíngue”.
  3. Não deveríamos nos referir a bilinguismo, mas a experiências bilíngues (Hartanto & Yang, 2016). Por exemplo, pode haver casos de bilíngues precoces que esquecem a L2 na fase adulta e bilíngues tardios que alteram sua língua dominante para a L2; além disso, alguns bilíngues precoces nunca irão visitar o país (ou os países) de sua L2 e simplesmente vão fazer um uso “doméstico” da L2 (língua de herança), enquanto outros bilíngues tardios vão viver imersos em contextos nos quais sua segunda língua é a língua nativa. A ideia de experiências bilíngues mostra que o bilinguismo é determinado por muitos fatores (idade de aquisição, quantidade e variedade de imersão linguística, uso da língua, graus de aculturação em L2 etc.). Ainda não sabemos o exato grau de contribuição desses fatores para explicar o bilinguismo (Pliatsikas, DeLuca, Moschopoulou et al. 2016; DeLuca, Rothman, Bialystok et al. 2020). Em resumo, o bilinguismo implica usar mais de uma língua. É um conceito dinâmico, mutável e modulado por múltiplos fatores e sua natureza varia de pessoa para pessoa.

 

Cognição: processos linguísticos

Apesar da heterogeneidade na definição do bilinguismo, o impacto da L2 na cognição (isto é, no processamento interno e na manipulação de informações do ambiente) é um fenômeno estabelecido que foi validado no campo da psicolinguística. A “marca cognitiva” associada à proficiência multilíngue pode ser observada em diferentes níveis linguísticos. Por exemplo, em referência ao processamento fonológico, diversos estudos observaram que a habilidade de discriminar fonemas (por exemplo, diferentes vogais) é estabelecida bem no início da infância. Rivera, Silva e Kuhl (2005) mostraram que bebês de sete meses de vida podem discriminar contrastes fonológicos de uma língua não nativa. No entanto, após os 11 meses, as crianças demonstram uma habilidade reduzida de discriminar fonemas que não estão presentes em seu entorno. Esses estudos ressaltam a importância de expor crianças a um ambiente fonologicamente rico (isto é, com a fonologia de diferentes línguas) para promover futuras habilidades fonológicas em contextos bilíngues.

Da mesma forma, Sabastián, Rodríguez, Diego et al. (2006) mostraram que bilíngues, embora sejam fluentes na L2, tendem a não ser sensíveis a contrastes de fonemas na L2 se esta for adquirida após os 13 anos de idade (bilíngues tardios). Bosch e Sebastián (1997, 2001) analisaram capacidades de discriminação entre duas línguas em crianças monolíngues e bilíngues de quatro meses (as bilíngues foram expostas simultaneamente a espanhol e catalão). As autoras usaram um procedimento de preferência à familiarização com base na medição de movimentos de cabeça como indicativo de atenção a estímulos auditivos apresentados em duas línguas. Elas observaram que o grau do efeito na discriminação entre as duas línguas era equivalente nos dois grupos, mostrando que capacidades de discriminação fonética aparecem bastante cedo em bilíngues simultâneos, semelhante ao que ocorre com monolíngues. Portanto, bilíngues precoces adquirem a habilidade de discriminar fonemas da L1 e L2 assim como monolíngues fazem em sua L1. Tal habilidade não parece se apresentar em bilíngues tardios, confirmando que experiências bilíngues distintas determinam a maneira como a fonologia é processada em uma segunda língua.

“Phrenological head and chart” de M. Nutting (1857)
Figura 1. Cabeça frenológica e gráfico de M. Nutting (1857). Fonte: Library of Congress

No nível léxico-semântico, há muito se presume que o processamento bilíngue é caracterizado por informações conceituais distribuídas (Kroll & de Groot 1997), indicando que alguns aspectos semânticos são comuns a mais de uma língua, enquanto outros são específicos a cada uma das línguas de um bilíngue. Por exemplo, café traria aspectos comuns (líquido, contém cafeína etc.) e outras propriedades que variam de acordo com características culturais e o uso da língua no contexto de vida (pequeno, semelhante ao espresso e intenso para falantes de italiano ou espanhol; grande e mais diluído para falantes do inglês estadunidense). Postula-se que o número de aspectos compartilhados entre duas línguas influencia o processamento de palavras na L2, sobretudo nos primeiros estágios de aprendizado. Assim, defende-se que o processamento de palavras seja intensificado mediante a uma quantidade maior de características compartilhadas; nesse mesmo sentido, o processamento dessas palavras na L2 que compartilham um número mais limitado de características com a L1 seria mais problemático, como no caso de palavras específicas da cultura da L2 (por exemplo, tablao em espanhol). A exposição à L2 (como por imersão) aumentaria a aquisição de novas características conceituais que aumentam o estoque semântico, fomentando conexões mais fortes entre a forma (ortografia e demais propriedades estruturais das palavras) e seu significado.

Além disso, saber mais do que uma língua também parece determinar a forma como se dá o processamento sintático durante a compreensão. Estudos baseados na análise de processamentos sintáticos bilíngues muitas vezes empregam orações relativas ambíguas: Alguém atirou no garçom da atriz [que estava na sacada], estruturas cujo processo de desambiguação consiste em determinar o agente da oração relativa (quem estava na sacada? o garçom ou a atriz?). O modo como os falantes resolvem questões de ambiguidade depende da L1 (vide Rayner, Carlson & Frazier 1983, para exemplos do inglês; para exemplos em espanhol, Cuetos & Mitchell 1988). Falantes do espanhol demonstram uma preferência por estratégias de associação que atribuem a ação ao agente na posição mais “anterior” da oração (o garçom é quem estava na sacada), enquanto falantes de inglês usam uma estratégia de associação posterior (a atriz estava na sacada). Ao comparar falantes de inglês monolíngues (N = 15), bilíngues precoces (N = 15; idade de aquisição da L2, inglês: antes dos 10 anos de idade) e bilíngues tardios (N = 15; idade de aquisição da L2, inglês: depois dos 10 anos de idade) em termos de associação sintática no processamento de orações em inglês, Fernández (1999) observou que monolíngues demonstraram uma preferência para a estratégia de associação de sua L1 (inglês: posterior); bilíngues tardios demonstraram uma tendência à estratégia anterior (a favorecida por sua L1, espanhol) apesar do processamento de sua segunda língua.

Além disso, bilíngues precoces não demonstraram preferência alguma (Fernández 1999), no sentido de que nenhuma diferença estatisticamente significante foi observada entre as estratégias adotadas. Fernández demonstrou que estratégias de processamento sintático são transferidas da L1 à L2 (em bilíngues tardios) e, através de análises correlacionais focadas no grupo de bilíngues precoces, descobriu que o nível de fluência na L2 prevê a estratégia de associação durante o processamento de orações ambíguas. Em outras palavras, quanto mais alto o grau de fluência na L2, mais alta a preferência à estratégia usada na L2. A autora demonstrou que diferentes experiências de bilíngues (precoces em relação a tardios) modulam o processamento sintático na L2.

Assim, saber mais de uma língua determina a forma como as pessoas processam as línguas a níveis fonológicos, semânticos e sintáticos. Contudo, recentemente, tem se tornado cada vez mais evidente que a “marca cognitiva” que mais caracteriza a experiência bilíngue depende do uso eficiente de processos de regulação e controle. Nos parágrafos a seguir, aprofundamos essa discussão.

 

Cognição: regulação e controle cognitivo

Green e Abutalebi (2013) propuseram que o uso de duas ou mais línguas aumenta a demanda cognitiva associada ao processamento de linguagem, o que implica que indivíduos bilíngues – comparados a monolíngues – mostram um uso mais eficiente dos processos de controle cognitivo (ou processos executivos). Ainda, supõe-se que esses processos de controle sejam livres de domínio, de forma que uma “vantagem bilíngue” poderia ser observada tanto em tarefas que mobilizam a linguagem como em outras atividades cognitivamente exigentes.

Además, se asume que estos procesos de control son independientes del dominio, de manera que podría observarse una “ventaja bilingüe” tanto en tareas de lenguaje como en otras actividades cognitivamente exigentes. Esta ventaja bilingüe implicaría desplegar mecanismos regulatorios o de control; entre ellos, destacarían la atención selectiva sobre los aspectos más relevantes para resolver un problema, la inhibición de información no relevante al realizar una tarea, y la agilidad de cambio y flexibilidad al escoger opciones o soluciones distintas cuando estamos embarcados en alguna actividad.

A vantagem bilíngue tem sido consistentemente observada em tarefas que requerem esse tipo de processo; as tarefas experimentais mais usadas são o teste Simon (Simon task) (Bialystok, Craik, Klein et al. 2004), teste Stroop (Stroop task) (Bialystok, Craik & Luk 2008) e o teste Flanker (Flanker task) (Costa, Hernandez, Costa-Faidella et al. 2009). Como exemplo, no teste Simon, retângulos coloridos (por exemplo, azul e verde) são dispostos dos lados direito e esquerdo de um espaço centralizado, os participantes são orientados a apertar uma tecla com a mão direita ou esquerda, dependendo da cor apresentada. Uma condição é rotulada como congruente quando a localização da cor (por exemplo, azul à direita) corresponde à posição da mão de resposta, enquanto uma condição incongruente envolveria uma incompatibilidade entre a localização da cor e a mão de resposta (por exemplo, cor azul à direita e tecla de resposta à esquerda). Ao usar esse teste, Baker, Kovelman, Bialystok et al. (2003) e Bialystok (2006) observaram que, apesar de terem sido registrados mais erros e tempo de reação mais devagar em resposta ao julgamento de incongruente vs. congruente (efeito de interferência), crianças bilíngues mostraram menos interferência que crianças monolíngues. Muitos estudos corroboram a vantagem bilíngue, mas o tópico ainda está sendo bastante discutido, portanto, deve-se ter cautela antes de tecer qualquer conclusão. Na verdade, outros estudos falharam em replicar a vantagem bilíngue (Paap & Greenberg 2013).

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[título del epígrafe] Tradução: conceito, processos linguísticos e controle cognitivo

A literatura mostra claramente que, com o objetivo de identificar os benefícios cognitivos associados ao bilinguismo, é preciso considerar a influência moduladora de diferentes fatores, como o tipo de bilinguismo, a forma como as pessoas gerenciam as línguas que falam durante uma atividade específica (Green & Abutalebi 2013) e a natureza da atividade em si (Morales, Gómez & Bajo 2013; Morales, Padilla, Gómez et al. 2015). Diferentes experiências bilíngues determinarão de forma única o funcionamento dos mecanismos subjacentes de controle cognitivo. Essa ideia desempenha um papel fundamental para uma compreensão abrangente da prática de tradução, um tópico que será abordado na seção a seguir.

 

Conceito

Onde deveríamos posicionar o grupo de tradutores profissionais ao longo do continuum bilíngue? Há diferenças importantes, tudo devido à prática profissional, que permite colocá-los separados do grupo de bilíngues não treinados. Dessa forma, tradutores são bilíngues cuja prática contínua em um domínio específico moldou de forma diferenciada a execução de determinados processos cognitivos e a implementação de mecanismos usados para otimizar a performance, com um impacto direto nos comportamentos observáveis. Essas características claramente os diferenciam dos bilíngues que nunca tiveram formação em tradução.

Traduzir é uma atividade particularmente exigente, caracterizada pela ativação de múltiplos processos linguísticos (acesso lexical e processamento semântico e sintático), processos cognitivos de natureza geral (Yudes, Macizo & Bajo 2011a, b) alta demanda da memória de trabalho (Signorelli, Haarmann & Obler 2012), atenção dividida (Gile 1997), coordenação para mudar de uma língua a outra (Christoffels & de Groot 2004) e uma alocação eficiente dos recursos de atenção entre as diferentes fases do processo tradutório (Gile 1997). Assim, podemos afirmar que as características intrínsecas da tarefa podem implicar diferentes formas de lidar com as duas línguas, tanto no nível linguístico quanto em relação aos mecanismos de controle que permitem regular o processamento de informações em uma tarefa de tradução. A seguir, apresentamos uma análise desses dois aspectos.

 

Cognição: processos linguísticos

Em referência ao processamento lexical, foi observado que tradutores profissionais coordenam com eficiência a ativação de formas lexicais na língua de chegada. Macizo e Bajo (2006, experimento 2) pediram que seus participantes traduzissem ou lessem visualmente as orações que lhes foram apresentadas. As palavras usadas como estímulo eram cognatas ou falsas cognatas. Termos cognatos cross-linguísticos são semelhantes em forma e significado (por exemplo, piano, em inglês, espanhol e português). Esse tipo de manipulação (cognata vs. falsa cognata) é crucial, pois tem sido usada como indicativa da coativação dupla de línguas entre bilíngues (vide Kroll & Stewart 1994; Macizo & Bajo 2006). A hipótese dos autores foi de que se os participantes acessassem as formas lexicais e semânticas da língua de chegada (LC) antes de completar o processo de compreensão da língua de partida (LP), seriam observados tempos mais curtos de leitura (facilitação) das cognatas em comparação a palavras de controle. A suposição inicial foi confirmada. Além disso, o efeito de facilitação para palavras cognatas só foi observado na condição de leitura para tradução, indicando que a tarefa modula o processamento lexical e que o objetivo de traduzir um texto determina a coativação de línguas entre o grupo de profissionais. Ruiz, Paredes, Macizo et al. (2008, experimento 1) chegaram ao mesmo padrão usando um paradigma semelhante. Nesse estudo, a frequência de palavras críticas na LC foi manipulada. Na condição de leitura para tradução, as palavras com maior frequência de uso na LC foram processadas mais rapidamente do que palavras com menos frequência de uso, apesar de a frequência de todas as palavras ter sido equiparada na LP. Mais uma vez, o efeito foi observado na tarefa de leitura para tradução e não na tarefa de leitura para repetição, confirmando que a tarefa modula coativação dupla de línguas.

Em outro estudo, Ibáñez, Macizo e Bajo (2010) pediram que bilíngues e tradutores (com proficiência semelhante em L2) lessem orações em espanhol ou inglês. A língua usada para apresentação de orações variou de teste a teste de maneiras imprevisíveis. Essa foi a primeira manipulação crítica; o objetivo era observar possíveis inibições da língua que não estava em uso ao medir o tempo de mudança da troca de uma língua por outra como uma função na direção da mudança (L1→L2 ou L2→L1). Os autores também manipularam palavras cognatas vs. falsas cognatas, como no estudo de Macizo e Bajo (2006). Uma vantagem de processamento foi observada para palavras cognatas no caso de tradutores, sugerindo que esse grupo mantém suas duas línguas ativas durante o processamento. Além disso, tradutores não demonstraram nenhum padrão de inibição, considerando que não apresentaram assimetria no custo de troca ao irem de uma língua para a outra. No caso de bilíngues, entretanto, foi observado um maior custo de troca para a L1 do que para a L2, indicando que bilíngues de fato inibem a língua que não esteja sendo necessária para a tarefa. Nenhuma facilitação no processamento de cognatas foi identificada entre bilíngues, sugerindo que apenas a língua em uso estava ativa. Em outras palavras, diferentes experiências bilíngues moldaram diferentes padrões de ativação das duas línguas, apontando para diferenças nos mecanismos de controle linguísticos: tradutores mantém as duas línguas ativas e não demonstraram custos assimétricos na troca de uma língua a outra, enquanto bilíngues só mantiveram ativa a língua da apresentação; portanto, um custo de compreensão foi observado entre bilíngues todas as vezes que precisavam trocar a língua. Esses resultados indicam diferenças na forma como tradução e bilíngues coordenam o processo lexical envolvido na tradução, e que essas diferenças são devidas à coativação linguística.

Descripción del estudio de Ruiz y Macizo (2019). (a) Ejemplo de oraciones con sintaxis congruente e incongruente en la LF (español) y la LM (inglés) con palabras cognadas y controles (en negrita). (b) Resultados. Lectura más rápida de palabras cognadas frente a palabras controles solo cuando la sintaxis de las oraciones era congruente
Figura 2. Os resultados de Ruiz e Macizo (2018) mostraram que, na compreensão para tradução, participantes usaram mais as pistas sintáticas preferidas na LC (a ordem de palavras) comparado a quando tinham que compreender para repetir na L1 (ver Imagem 2). Assim, os resultados de diferentes estudos sobre processamento sintático em tradução mostram que a estrutura sintática, as estratégias de associação e as pistas sintáticas na LC estão ativas durante a compreensão da LP e modulam a resposta dependendo dos objetivos a serem atingidos durante a tarefa.

São escassas as pesquisas sobre processamento sintático na tradução. Um dos primeiros (e poucos) estudos sobre esse tópico é justamente o de Ruiz, Paredes, Macizo et al. (2008, experimento 2), no qual um grupo de tradutores fizeram uma tarefa de leitura para repetição (em espanhol) e uma de leitura para tradução (para o inglês). Nessa ocasião, os autores manipularam a congruência interlinguística da ordem das palavras inclusas em cada oração. Na condição congruente, o adjetivo foi apresentado antes do substantivo, e o sujeito sempre foi colocado antes do verbo da oração relativa, por exemplo, la bonita casa que yo alquilé este verano tenía um verde jardín (“a bonita casa que eu aluguei no verão tinha um verde jardim” em português), criando uma condição de sobreposição com a estrutura do inglês (isto é, the nice house that I rented this summer had a green garden). Em contraste, nos testes incongruentes, a ordem de palavras dentro da estrutura sintática das orações não se sobrepõe à outra língua (la casa bonita que alquilé este verano tenía un jardín verde). Os resultados mostraram que, durante a tarefa de tradução, o tempo de leitura de orações congruentes era mais curto do que o tempo para orações incongruentes. Em outras palavras, os participantes compreendiam mais rapidamente as informações para tradução posterior quando a estrutura sintática das duas línguas se sobrepôs. Esse efeito de facilitação não foi observado na tarefa de leitura para repetição. Em um estudo mais recente, Ruíz e Macizo (2019) manipularam em conjunto fatores lexicais (palavras cognatas) e fatores sintáticos (estrutura sintática) de orações durante uma tarefa de tradução. Os resultados mostraram uma interação entre ambos os aspectos; a saber, o processamento foi mais eficiente quando os participantes assimilaram palavras cognatas do que palavras de controle que eram falsas cognatas, mas apenas quando esses termos eram dispostos em estruturas congruentes, e não quando os participantes liam para traduzir estruturas incongruentes (vide Imagem 1). Combinados, esses estudos indicam que informações lexicais e sintáticas são ativadas da LC ainda durante a compreensão em LP, e que ambos os conteúdos interagem cross-linguisticamente. 

Além disso, a ativação de informações sintáticas da LC durante a compreensão da LP na tarefa de tradução não se limita à estrutura sintática (congruência sintática). Alguns estudos recentes mostram que outros aspectos sintáticos da LC também afetam a compreensão da LP; a saber, estratégias de associação e pistas sintáticas usadas para a atribuição de agentes. Em relação ao primeiro aspecto, Togato, Paredes, Macizo et al. (2017) avaliaram estratégias de associação quando compreenderam orações ambíguas descritas em seções prévias (Alguém atirou no garçom da atriz [que estava na sacada]) para tradução posterior. Quando intérpretes profissionais (espanhol/inglês) leram para repetição, não foi observada nenhuma preferência evidente (estratégia de associação anterior ou posterior), confirmando o que foi previamente identificado em populações bilíngues (Fernández 1999). No entanto, durante a leitura em espanhol no intuito de tradução posterior para o inglês, os intérpretes adotaram a estratégia de associação preferida na LC (a associação posterior no inglês), mostrando que as estratégias sintáticas da LC estavam ativas durante a compreensão da LC.

Ruiz e Macizo (2018) apresentaram estruturas visuais de substantivo-verbo-substantivo (SVS) em espanhol para bilíngues falantes de espanhol (L1) e inglês (L2). Após a leitura em espanhol (a LP), as orações desapareciam da tela e os participantes tinham que produzir oralmente a oração seguindo a estrutura sujeito-verbo-objeto em espanhol, ou na LC (inglês). Ou seja, nessa tarefa, os participantes tinham que selecionar o sujeito de uma oração (tarefa de atribuição de agente) para repeti-lo oralmente na LP ou traduzi-lo para a LC. Muitos estudos prévios (Bates & MacWhinney 1987, 1989; MacWhinney 2002, 2005, 2012; Togato & Macizo 2020) confirmaram que falantes de diferentes línguas tendem a empregar diferentes “pistas” sintáticas para identificar o agente de uma oração. Por exemplo, falantes nativos de inglês costumam usar a ordem de palavras como pista preferencial (isto é, o primeiro substantivo geralmente é o sujeito) enquanto falantes de espanhol preferem outras pistas, como a animacidade de substantivos (por exemplo, um substantivo animado é favorecido como sujeito de uma oração em detrimento de um substantivo inanimado). Ruiz e Macizo manipularam criticamente diversas pistas (animacidade, concordância sujeito-verbo e ordem de palavras) em fragmentos SVS para observar qual traço seria preferido como função da tarefa executada por bilíngues (repetição vs. tradução).

Os resultados de Ruiz e Macizo (2018) mostraram que, ao compreender para traduzir, os participantes usaram mais as pistas sintáticas preferidas na língua de chegada (ou seja, ordem das palavras) do que quando tiveram de compreender para repetir na L1 (ver a Figura 2). Assim, os resultados de diferentes estudos sobre o processamento sintático na tradução mostram que a estrutura sintática, as estratégias de fixação e as pistas sintáticas na língua de chegada estão ativas durante a compreensão da língua de partida e modulam a resposta dependendo dos objetivos a serem alcançados durante a tarefa.

Descripción del estudio de Ruiz y Macizo (2018). (a) Ejemplo de estructuras en función de la animacidad de los dos nombres.  (b) Resultados obtenidos. Los participantes utilizan más la clave preferida en la LM (orden de las palabras, mayor preferencia del Nombre 1 como sujeto) cuando producen en la LM vs. la LF
Figura 3. Descrição do estudo de Ruiz e Macizo (2018). (a) Exemplo de estruturas em função da animacidade dos dois substantivos. b) Resultados obtidos. Participantes usam mais pistas preferidas na língua de chegada (ordem de palavras, maior preferência de substantivo 1 como objeto) ao produzir em língua de chegada vs. língua de partida

Seguindo essa linha de pensamento, há estudos que mostram que as mudanças funcionais impostas pela tarefa de traduzir transcendem os aspectos estruturais da língua para atingir o nível representacional (semântico). Nessa esteira, Yudes, Macizo, Morales et al. (2013) realizaram um estudo baseado na detecção de erros em textos e compararam intérpretes, estudantes de interpretação, bilíngues e monolíngues em tarefas de compreensão de texto.

A hipótese dos autores era de que, como a compreensão é muito exigida em tarefas de tradução, intérpretes mostrariam estratégias de compreensão qualitativamente diferentes das adotadas por outros participantes. Os resultados confirmaram a hipótese inicial, uma vez que intérpretes detectaram mais inconsistências semânticas e sintáticas em textos e demonstraram níveis maiores de compreensão em um questionário pós-teste, mostrando melhor performance do que os demais participantes. Esse padrão confirma que a prática de tradução modula o desenvolvimento de estratégias de processamento de tal maneira que elas são mais orientadas para a construção do significado e menos para a preservação da forma; além disso, essa reestruturação estratégica ocorre gradualmente e aumenta com o treinamento.

 

Cognição: regulação e controle cognitivo

Considerando o que foi comentado até agora, é razoável perguntar qual é a causa principal da vantagem do tradutor no processamento lexical, sintático e semântico. A memória de trabalho, entendida como um sistema necessário para processar/armazenar informações relevantes para realizar atividades complexas (Baddeley, Eysenck & Anderson 2020), é essencial em qualquer tarefa (raciocínio, compreensão, aprendizado); portanto, seu papel é crucial também em atividades de tradução. Além disso, a experiência acumulada por meio da prática contínua de tradução reflete-se na melhoria geral dos mecanismos que atuam no sistema da memória de trabalho (Christoffels, de Groot & Waldorp 2003; Christoffels, de Groot & Kroll 2006).

Diversos estudos descobriram que tradutores formados mostraram uma maior amplitude de memória de trabalho do que bilíngues não formados (Bajo, Padilla & Padilla 2000; Christoffels, de Groot & Kroll 2006). Ainda, foi observado que a amplitude da memória de trabalho está relacionada à eficiência dos tradutores em atividades linguísticas. Bajo, Padilla e Padilla (2000), por exemplo, compararam intérpretes profissionais, estudantes de interpretação, bilíngues e profissionais de outras áreas e descobriram que intérpretes têm uma maior capacidade para manter níveis altos de atenção dividida, ou seja, controle cognitivo, durante a execução de atividades que envolvem o uso de linguagem. Mais especificamente, participantes memorizaram uma lista de palavras para serem lembradas posteriormente, ao mesmo tempo, durante a fase de memorização, uma tarefa de supressão articulatória foi introduzida a todos os participantes em 50% dos testes.

A tarefa de supressão articulatória é usada para bloquear a retenção de informação na memória de trabalho por meio de falas verbalizadas não relacionadas com a tarefa principal (por exemplo, repetir blá-blá-blá). Intérpretes se destacaram na performance da tarefa quando a supressão articulatória foi apresentada (o desempenho dentro de seus sistemas de memória de trabalho não foi impedido pela tarefa dupla). Portanto, no caso dos intérpretes, seu melhor desempenho em tarefas de compreensão (acesso lexical e semântico, processamento sintático) pode se dar devido a um melhor controle, dentro do sistema de memória de trabalho (como definido por Baddeley, Allen & Hitch 2001) dos recursos cognitivos dos quais dependem a computação e o armazenamento requeridos pela tradução, respetivamente.

Sob a perspectiva de Cowan (1999), o melhor desempenho dos intérpretes seria devido a uma regulação mais eficiente, feita pelo executivo central, da ativação dessas representações relevantes (dentro da memória de longo prazo, MLP) em direção ao foco da atenção (responsável pelo processamento). Padilla, Bajo e Macizo (2005) replicaram a ausência do efeito de supressão articulatória em intérpretes profissionais ao compará-los com um grupo de controle de igual amplitude da memória de trabalho. Os autores demonstraram que a ausência do efeito em profissionais não se deve à amplitude da memória de trabalho em si, mas à sua capacidade de processar e recuperar informações enquanto articulam a mensagem. Portanto, o estudo demonstrou que a ausência do efeito de supressão articulatória se deve à capacidade de alocar recursos cognitivos de forma eficiente e de coordenar melhor os diferentes subprocessos implementados em paralelo no sistema da memória de trabalho.

Human Brain de J.M. Bourgery (1831-1854)
Figura 4. Human Brain de J.M. Bourgery (1831-1854). Fuente Wikimedia.

Em um segundo experimento, Padilla, Bajo e Macizo (2005) introduziram outra tarefa de condição dupla, mais precisamente, rastreamento visual. Nenhuma diferença foi encontrada entre os dois grupos usando essa tarefa, que é similar à primeira em termos de dualidade, mas diferente em termos da modalidade envolvida (neste caso, visual). Esses resultados nos levam a pensar que a ausência do efeito de supressão articulatória em intérpretes (previamente observados) não se deve à habilidade geral de manter a atenção dividida entre várias tarefas ou processos, mas a algum tipo de habilidade mais intimamente relacionada aos processos simultâneos de compreensão e produção, como o acesso lexical ou semântico a conteúdos conhecidos. Os autores confirmaram essa ideia em outro experimento no qual a familiaridade do material linguístico era manipulada; a hipótese deles era de que, sob condições de supressão articulatória, o efeito seria observado em caso de material desconhecido (não palavras). Os dados corroboraram o raciocínio inicial: a baixa familiaridade com os materiais levou ao efeito de supressão articulatória, mostrando que a familiaridade com entradas linguísticas é fundamental para o loop fonológico (componente de memória de trabalho responsável pelo armazenamento temporal da fala) em intérpretes profissionais.

En conjunto, la coordinación efectiva de subprocesos lingüísticos no parece maximizar la amplitud del sistema de MT sino su eficiencia, al optimizar el emparejamiento de los resultados parciales del procesamiento con la activación de la información lingüística almacenada en la memoria a largo plazo. Este estudio abrió el camino hacia la idea de que las habilidades lingüísticas en juego en la práctica profesional se manifestarían en un manejo distinto de los procesos cognitivos básicos. Analizaremos brevemente un estudio basado en esta idea (véase también Babcock y Vallesi 2015; Babcock, Capizzi, Arbula et al. 2017; Morales, Padilla, Gómez-Ariza et al. 2015).

Yudes, Macizo e Bajo (2011b) postularam que talvez os tradutores e os bilíngues apresentassem aprimoramento em diferentes componentes das funções executivas. Eles compararam tradutores profissionais e bilíngues não treinados em uma tarefa de flexibilidade cognitiva (Wisconsin Card Sorting Test). O teste exige que os participantes deduzam uma regra de categorização. A regra muda ao longo da tarefa, de modo que os participantes precisam inferir a nova regra em cada ponto de troca. Eles são informados sobre a precisão de suas respostas, mas não recebem feedback sobre a regra. Em outras palavras, a tarefa reflete a capacidade dos participantes de alternar entre diferentes conjuntos cognitivos e se adaptar de forma flexível à nova regra. Yudes, Macizo e Bajo (2011b) observaram um melhor desempenho do grupo de intérpretes; especificamente, eles precisaram de menos tentativas para inferir a regra e cometeram menos erros em comparação com os bilíngues. Acima de tudo, eles cometeram menos erros de recorrência, ou seja, mostraram maior flexibilidade cognitiva para mudar as hipóteses ligadas à inferência da regra.

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[título del epígrafe] Conclusão

Parece que a prática contínua de tradução levará a uma “marca cognitiva” muito específica no comportamento. Por um lado, o bilinguismo determina uma maneira particular de processar informações lexicais, sintáticas e semânticas em comparação com falantes monolíngues. Além disso, bilíngues parecem usar processos de regulação de controle de modo bastante eficiente (Green & Abutalebi 2013).

Por outro, estudos mostraram que tradutores lidam de forma diferente com a coativação linguística em comparação com bilíngues sem treinamento específico (vide Ibáñez, Macizo e Bajo 2010); bilíngues inibem a língua que não estiver em uso (vide Bialystok 2001; Ibáñez, Macizo & Bajo, 2010; mas Paap, Anders-Jefferson e Mason, 2018, para interpretações divergentes), enquanto tradutores parecem empregar mecanismos de inibição em menor grau e manter suas línguas ativas para desempenhar a tarefa (vide Macizo e Bajo 2006; Grosjean 2008; Ibáñez, Macizo e Bajo 2010). Esse uso diferente de coativação pode explicar o porquê da vantagem de quem traduz ser especialmente visível na tarefa linguística (tarefas léxico-semânticas e sintáticas); além disso, essa vantagem no domínio verbal parece estar relacionada à eficiência de execução no sistema de memória de trabalho.

Tal relação foi primeiramente explicada em termos de capacidade de memória de trabalho (Christoffels, de Groot & Waldorp 2003), mas outros estudos (como Padilla, Macizo & Bajo 2005; Babcock & Vallesi 2016; Babcock, Capizzi, Arbula et al. 2017) viabilizam a ideia de que uma coordenação efetiva de diferentes subprocessos linguísticos de profissionais fomenta não apenas a magnitude da memória de trabalho, mas a eficiência com a qual informações ativas na memória de trabalho se relaciona com o resgate na MLP, facilitando futuras mediações linguísticas. Nesse mesmo sentido, a presença de uma vantagem para tradutores foi encontrada em processos cognitivos básicos que refletem as demandas de processamento impostas pela tarefa: a flexibilidade de adaptar o conjunto cognitivo a novas circunstâncias, sustentados pelo controle global (ao longo de toda a tarefa), o estado de alerta para processar as entradas e uma melhor orientação de atenção para poder redirecionar o foco à fase de produção.

Continuaremos a pensar, então, que todas as pessoas bilíngues são capazes de traduzir?

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potencial para la investigación Potencial de pesquisa

Seria interessante explorar, do ponto de vista da psicologia cognitiva, as diferenças entre tradutores e intérpretes, levando em conta que o ofício dessas pessoas é bastante diferente; apesar disso, e ao contrário de outros campos (como a própria tradução, por exemplo), a pesquisa no campo da psicologia cognitiva tende a não distinguir os dois trabalhos profissionais; na verdade, os dois grupos mal são comparados no mesmo estudo. Outra área de pesquisa com muito potencial (e menos explorada) é a baseada no processamento linguístico emocional durante a tradução; muitos estudos investigaram aspectos cognitivos ligados ao bilinguismo e à tradução; contudo, poucos deram foco à exploração da emocionalidade (incluindo aspectos motivacionais) subjacentes aos dois fenômenos. 

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