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Introdução - Cultura: alguns argumentos novecentistas | Culturalismo e estudos de tradução | A "viragem culturalista" - e o seu porvir | Coda: totalidade, diversidade | Potencial de investigação

 

Introducción  Introdução – cultura: alguns argumentos novecentistas

Desde há muito que tentativas de definição de “cultura” recorrem a argumentos totalizantes, com implicações e contornos infletidos pelo curso da história social e intelectual. Tais inflexões permitem aferir valores e preocupações que deram forma à história do século XX. Da obra de antropólogos na primeira metade desse século (e em especial no período entre as duas guerras mundiais) emergiu a definição de cultura que se revelaria mais influente no nosso tempo, a que propõe cultura como “toda uma maneira de viver”. No seu alcance referencial, esta expressão – que recobre e substitui o sentido mais restrito (mas persistente) de cultura como epítome dos conseguimentos humanos no pensamento, na escrita e nas artes – ecoa remotamente a famosa afirmação de Terêncio, “nada do que é humano me é alheio” (que tão grande ressonância encontrou na tradição humanista). Através de contributos de estudiosos como Ruth Benedict (por exemplo, com a sua obra de 1934, Padrões de Cultura), a abrangência do interesse antropológico pelo humano expandiu a experiência e a imaginação ocidentais para a consideração de culturas não-europeias, em toda a sua riqueza e complexidade, e fez assentar a avaliação ética da diversidade cultural em argumentos relativistas. Tais desenvolvimentos ocorreram, note-se, décadas antes de uma preocupação com a diversidade cultural e linguística, combinada com denúncias de eurocentrismo, se tornar comum (pelo último quartel do séc. XX) nos discursos e protocolos de inquirição do meio académico. Abraçada por antropólogos de inícios e meados do século, a ambição pioneira de vislumbrar a completude estruturada e única de uma comunidade humana através do estudo aturado de algumas das suas componentes envolveu, tipicamente, tropos organici, imagens de integração e coerência – que se tornaram parte integrante da atração dos argumentos em causa (ver Benedict 1934: 45-7 e passim).

A milestone in the attempt to go beyond the western cultures A defence of education focusing on the central role of language as regards identity
Capa da edição Houghton Mifflin de 1959 A capa da edição Penguin de 1973 

Conceptual e discursivamente, tais contributos tiveram um impacto evidente nos debates críticos sobre “cultura” em distintos ambientes intelectuais e ideológicos do período sequente à II Guerra Mundial. Em termos gerais, esses debates anteciparam desenvolvimentos decisivos para o panorama disciplinar dos finais do séc. XX. As Notas para a Definição de Cultura de T.S. Eliot (escritas durante a guerra como uma série de artigos e reunidas num livro em 1948) invocavam explicitamente, a partir de fontes antropológicas, a descrição de cultura como “toda uma maneira de viver” – mas propunham argumentos favoráveis à preservação de “níveis” de indivíduo e de grupo, de elites e de instituições tradicionais, como contraponto ao sentido comunitário de experiência partilhada (Eliot 1948: 21-4, 120-1, passim). Estas feições da visão de Eliot, combinadas com o seu entendimento de cultura como o resultado de um desenvolvimento “orgânico”, mais do que de agência humana, vieram a ser encarados por muitos como epítome da reação do intelectual tradicionalista ao panorama de transformações políticas e socio-económicas – incluindo o avanço imparável da cultura de massas – que caraterizou o mundo do pós-guerra. Contudo, se a definição como “toda uma maneira de viver” podia ser invocada por Eliot para um combate de retaguarda em nome de um mundo que regredia, muito mais prontamente se adequava às perspetivas intelectuais e ideológicas dos que acalentavam os “amanhãs que cantam” de programas políticos “progressistas” – e que encontravam pela década de 1950 condições favoráveis a uma análise do passado e do presente que sustentasse expetativas de um futuro reconfigurado. Para estudiosos como Richard Hoggart (The Uses of Literacy, 1957) e Raymond Williams (Culture and Society 1780-1950, 1958; The Long Revolution, 1961), a educação, com uma forte ênfase no papel central da língua e linguagem para a delineação da identidade, era um elemento crucial nesse quadro de expetativas. A sua análise também incluía o apreço por tradições de cultura popular (e operária) e uma atitude de reserva ou ceticismo face aos atrativos tecno-comerciais da cultura de massas. Os contributos de Williams, com saliência para a distinção que propôs num ensaio sobre “análise da cultura” entre abordagens de ordem “ideal”, “documental” e “social” (Williams 1961: 57ff) – centrando-se a sua atenção nesta última – são justamente reconhecidos pelo seu papel fundador face à disciplina de “estudos culturais”, desenvolvimento da maior importância na história intelectual e académica do último quartel do séc. XX.

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[título del epígrafe] Culturalismo e estudos de tradução

A consequência mais ampla do impulso dado por Williams (1958, 1961) para o emergir dos estudos culturais viria a realizar-se, porém, no ponto de encontro do seu culturalismo com a influência de pensamento francês das décadas de 1960 e 1970. Refiro-me, crucialmente para os propósitos deste verbete, à consolidação do entendimento de que a significação emerge de processos, que não de condições de essência ou inerência; a percepção, por outras palavras, de que se constitui relacionalmente. Tais noções ocuparam posição central no legado de Ferdinand de Saussure, cuja obra se desenvolvera num segmento anterior do séc. XX mas obteve elaboração conceptual acrescida com o pensamento daqueles autores (em particular Roland Barthes, Jacques Derrida, Michel Foucault) que, mostrando-se refratários à determinação e aos nexos do sistema fechado, realizaram a transição do estruturalismo para o pós-estruturalismo. Para a consolidação intelectual dos estudos culturais uma noção decisiva foi, com efeito, a de que artefactos, textos e práticas não têm o seu significado inscrito à partida (ou definitivamente), antes o obtendo através de um processo discursivo, a que Stuart Hall influentemente chamou articulation, ou formulação (cit. Storey 1994: ix). Cumulativamente, a preocupação de Foucault com o nexo saber-poder, e com as suas múltiplas manifestações em distintas formações discursivas, propôs um entendimento dos processos semânticos e representacionais que convergiu com a matriz política fundadora dos estudos culturais – e viria a ter idêntica operatividade na “viragem culturalista” que de modo tão decisivo sustentou a ascensão disciplinar dos estudos de tradução da década de 1980 para a de 1990.

            O argumentário que sustentou essa ascensão teve como componente importante uma atenção a questões de poder que foi ou coeva, ou devedora de modelos analíticos e conceptuais – de que a análise de Foucault é exemplo crucial – que pontuaram os debates sobre dinâmicas culturais nos anos finais do séc. XX:

  1. Um caso esclarecedor é o das afinidades entre a teoria do polissistema e o modelo centro vs periferia. Quando Itamar Even-Zohar defendeu a produtividade de estudar “literatura traduzida” no quadro de um “polissistema” definido por relações de poder altamente variáveis, e envolvendo literaturas “centrais” e “periféricas” ([1990] 2012), a sua base conceptual imediata estaria (segundo ele próprio) na teorização literária – em especial dos formalistas russos. Mas ele estava também a apoiar-se em nexos mais amplos (por exemplo, os da teoria do sistema mundial, desenvolvida em particular por Immanuel Wallerstein nos seus estudos sobre geopolítica e geocultura - 1991) que no período em apreço viram as suas aplicações estender-se de discursos da área da política e da economia para outros âmbitos do estudo da cultura.
  2. Do mesmo modo, o acolhimento de que em anos recentes gozaram argumentos favoráveis ao resgate da tradução da sua subalternidade enquanto escrita secundária (cujo estatuto derivativo se não quadrava com uma “metafísica da origem”) muito deveram ao ceticismo pós-moderno face ao cânone literário. Desafiar o cânone implicou expor as hierarquias e valorações que sustentam qualquer galeria de grandes autores e grandes obras (invariavelmente “originais”) como mero reflexo de dinâmicas de poder historicamente determinadas. Porém, a corrente contra-canónica na história recente da crítica foi ela própria uma manifestação específica da ética e da política anti-sistema que tão influentemente marcaram a experiência ocidental desde as décadas de 1960 e 1970, promovendo gradualmente o reconhecimento da diversidade cultural e o respeito por culturas minoritárias – atitudes que hoje ocupam posições discursivas centrais (Guillory 1993, Gorak 2013).
  3. Um terceiro exemplo de atitudes éticas e políticas que tiveram considerável ressonância em discursos sobre a cultura, e que adicionalmente contribuiram para a consolidação dos estudos de tradução, pode encontrar-se na denúncia crítica, a partir dos estudos comparatistas, de uma historiografia literária organizada por literaturas nacionais. A força persuasiva dessa postura crítica, juntamente com o acesso da literatura comparada a uma certa centralidade disciplinar, pode ser vista como reflexo das reservas face a noções de nacionalidade que marcaram a cena política das democracias ocidentais desde os meados do séc. XX. É de grande importância para os propósitos deste verbete que essa atitude de reserva tenha favorecido o reconhecimento da tradução como matriz para uma escrita que cruza as fronteiras de línguas e culturas – e que se torna, portanto, um domínio em que a história é sempre “transnacional” (Cronin 2006: 23).

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[título del epígrafe]A “viragem culturalista” – e o seu porvir

Tal como se verificou nos debates suscitados pelo conceito de cultura, os pronunciamentos sobre tradução têm frequentemente reclamado para o seu objeto um âmbito da maior abrangência – mesmo quando propostos a partir de posições intelectuais caraterizadas pela reserva com que vêem quaisquer desígnios totalizantes.

Um exemplo esclarecedor surge com um argumento de George Steiner em After Babel (1975): “translation is formally and pragmatically implicit in every act of communication, in the emission and reception of each and every mode of meaning, be it in the wider semiotic sense or in more specifically verbal exchanges. To understand is to decipher. To hear significance is to translate” (1975: xii). Outros exemplos, com origens vincadamente diversas, incluem Octavio Paz e o crítico irlandês Robert Welch: “when we learn to speak, we are learning to translate” (Paz 1971 cit. Schulte and Biguenet 1992: 52); “all legitimate intellectual inquiry is translation of one kind or another” (Welch 1993: xi).

Esta tendência para propor extensões ilimitadas do conceito de tradução (com uma ambição que inevitavelmente comporta o risco de perda de valor heurístico e operativo) tem estado especialmente em evidência sempre que a tradução e a cultura são justapostas ou colocadas em equação, como frequentemente ocorreu em contributos da (ou para a) “viragem culturalista” nos estudos de tradução. Um marco decisivo neste processo foi a coletânea organizada por Theo Hermans sob o título The Manipulation of Literature (1985), ao sustentar o argumento de que a tradução é uma das ferramentas, em qualquer sociedade, para a “manipulação cultural”, um meio decisivo através do qual as instituições sociais intervêm na construção do que entendem por “cultura”. No prefácio a uma coletânea posterior mas de propósitos afins, sob o título Constructing Cultures, Edwin Gentzler declararia, com a confiança de quem conclui um argumento: “the study of translation is the study of cultural interaction” (1998: ix). Este juízo de Gentzler assentava na consideração retrospetiva de um argumento que pela década de 1990 vira consumada a sua fortuna crítica, e integrava o reconhecimento do papel desempenhado por Susan Bassnett e André Lefevere, organizadores da coletânea em causa, na efetivação da viragem culturalista. Ao equacionar tradução com cultura, subscrevia o entendimento relacional (da maior importância para os estudos culturais) de que a cultura se define justamente por interações, compreendendo todas as dinâmicas transacionais próprias da experiência humana.

A prominent example of the hermeneutic perspective in TS
Um exemplo proeminente da perspectiva hermenêutica nos estudos de tradução

A gama de dinâmicas culturais exploradas em contributos para a construção disciplinar dos Estudos de Tradução foi em tudo ampla e diversa, incluindo todas as correntes e causas relevantes para as humanidades e ciências sociais desde o último quartel do séc. XX. As imbricações culturalistas da nova disciplina compreenderam, proeminentemente:

  1. 1. o tipo de hermenêutica e exercício crítico representado por estudiosos como George Steiner, que defendeu de forma persuasiva o papel culturalmente revelador da tradução, a sua capacidade de “iluminar” os contornos de histórias literárias nacionais e transnacionais, delineados pelo modo como (através da tradução) diferentes culturas processam o passado literário (Steiner 1992, 1993);
  2. 2. os chamados estudos de género, através de aproximações entre os nexos de poder que caraterizam (respetivamente)
    1. (a) enunciados originais (dotados de autoridade e poder) vs. traduções (textos derivativos, subalternos); e

      (b) posições determinadas pelo género – masculino vs. feminino.

      Como Lori Chamberlain propôs num ensaio sobre género e metaforicidade em tradução, “the opposition between productive and reproductive work organizes the way a culture values work” (1988: 254);

  3. perspetivas coloniais / pós-coloniais. A tradução tem sido invocada, enquanto prática e enquanto conceito, em estudos do relacionamento entre colonizadores e colonizados – mas também, de modo redentor e com especial impacto, como modelo inspirador para configurações culturais pós-coloniais. Veja-se o que a este respeito escreveram Maria Tymoczko e Homi Bhabha (neste último caso, num dos passos mais citados de The Location of Culture): “post-colonial writing might be imaged as a form of translation (...), a metaphor of transportation across (physical, cultural or linguistic) space or boundaries” (Tymoczko in Bassnett and Trivedi 1999: 19-20); “it is the ‘inter – the cutting edge of translation and renegotiation, the in-between space – that carries the burden of the meaning of culture. (...) by exploring this Third Space, we may elude the politics of polarity and emerge as the other of our selves’ (Bhabha 1994: 38-9).

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[título del epígrafe] Coda: totalidade, diversidade

O esboço que aqui se ofereceu terá lançado alguma luz sobre as razões para os recentes atrativos da tradução (como prática e como conceito) no panorama disciplinar das humanidades e das ciências sociais. Mais especificamente, terá contribuído para justificar o argumento tantas vezes reiterado de que os estudos de tradução constituem uma “interdisciplina” – salientando, ao mesmo tempo, o papel central e mediador assumido nesse processo por noções de cultura. A capacidade revelada pelos estudos de tradução para cooptarem argumentos com origem em debates mais amplos sobre cultura tem igualmente contribuído para o ecletismo da disciplina, o apoio que encontra numa gama flexível de modelos intelectuais; e esta propensão para a diversidade compensa em boa medida a hybris das pretensões totalizantes atrás referidas (cf. Gentzler 1998: xiii).

A expansão do âmbito reclamado pela tradução tem-se igualmente verificado para além do meio verbal, através de argumentos renovados a favor da operatividade de modelos conceptuais oriundos da tradução para explorar a intersemiose e a multimodalidade (Pârlog 2019; Boria, Carreres, Noriega-Sánchez et al.  2020). Tais pretensões – carateristicamente não-hierárquicas – quanto a diferentes media expressivos convergem com a aspiração de ver esta disciplina evoluir para aquilo a que Edwin Gentzler chamou “post-translation studies”, uma redefinição disciplinar que justificou nos seguintes termos: “in this new global age, (…) we all live in (…) translational cultures (...) [within which] indigenous and immigrant struggles with adaptation, assimilation, and resistance [can be] viewed not as the exception, but as central to cultural production” (Gentzler 2017: xii, 8).

            Desenvolvimentos como estes, porém, assentam em larga medida nos grandes avanços conceptuais que deram forma aos estudos de tradução até meados da década de 1990, sendo que este verbete sobre Cultura lhes reconhecerá tal mérito ao concluir citando um contributo desse período. Provém da obra de um estudioso de grande influência, Wolfgang Iser (porventura mais conhecido pela sua teorização do literário a partir da experiência do leitor), levado pela sua própria trajetória intelectual, bem como por inflexões no seu âmbito investigativo, a alargar a incidência da sua atenção a reflexões sobre tradução e cultura – um nexo sobre o qual declarou:

the specific nature of the culture encountered can be grasped only when projected onto what is familiar. [...] a foreign culture is not simply subsumed under one's own frame of reference; instead, the very frame is subjected to alterations in order to accommodate what does not fit.

(Iser 1995: 30)

Iser argumentou, em particular, que quaisquer transformações que resultem do interface cultural evidenciado pela tradução irão contrariar a perceção de que uma cultura possa ser superior a outra, daqui resultando a sua proposta de que se entenda “traduzibilidade” como um dispositivo contrário à “hegemonia cultural” (Iser 1995: 30).

A reflexão de Iser revela uma assimilação criticamente produtiva de ensinamentos da antropologia, bem como de distintas vertentes das abordagens sinopticamente descritas ao longo deste verbete: o interesse pós-estruturalista por dinâmicas de poder; a disponibilidade para alargar o âmbito de estudo do verbal para o texto social; a saliência conferida à ética e política da diferença; a perceção de que, ao evidenciar a inevitável coexistência das culturas (“our multiple dependencies” – Cronin and Ó Cuilleanáin 2003: 231), a tradução contraria o ímpeto essencializante dos discursos sobre a identidade. Crucialmente para os propósitos deste verbete, o contributo de Iser demonstra e epitomiza a relação próxima entre tradução e cultura, atravessada por uma combinação de aspirações intelectuais e éticas, nos ambientes discursivos da modernidade tardia.

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 potencial para la investigación Potencial de investigação

Como se fez notar, os desenvolvimentos que deram forma à disciplina de estudos de tradução têm importantes margens de sobreposição com a fortuna intelectual de noções de cultura. O potencial investigativo, para esta área, das preocupações que informam o verbete “Cultura” é, consequententemente, vasto e ubíquo. Isso mesmo se sugere com a secção “Coda: totalidade, diversidade”, que identifica abordagens promissoras na área da tradução caraterizadas por se sustentarem de conceptualizações de cultura com singular amplitude. Uma de tais abordagens prende-se com intersemiose e “multimodalidade”: reporta-se à gama de possibilidades proporcionadas por extensões da tradução a meios não-verbais, com notável centralidade nas culturas expressivas do nosso tempo. Outra via investigativa que implica ativamente noções de tradução e de cultura é a que emerge do argumento de que os estudos de tradução, enquanto disciplina, experimentarão em breve uma diluição – proporcionando alastramento (que não rasura). Com efeito, aquilo a que Gentzler (2017) chamou “post-translation studies” poderá ser o nome de um momento epistémico que testemunhará o reconhecimento mais amplo do quanto as nossas culturas são translatórias – um momento em que a prática interlinguística se revelará matriz de todas as formas de produção cultural enquanto formas de transação. (Para a identificação de fontes que sustentam esta perceção de potential investigativo, ver “Bibliografia”).

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