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cita ENG Outward turn SPA Outward turn (giro de apertura) Other Iberian Languages Still to be coined

 

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Introdução | O conceito de “outward turn” | Potencial de pesquisa

 

Introducción  Introdução

The question of what constitutes a translation is under radical review. Gentzler (2015: 2)

Traduzir corresponde a uma atividade que não é imune a mudanças epistemológicas. Talvez seja isso que torne nosso trabalho diário como tradutores tão fascinante, porque, na era global, a tradução está em toda parte, em todas as atividades que vão construindo nossa sociedade cosmopolita por meio do contato entre culturas. Isso implica a emergência de conflitos nos constantes processos de mediação, a circulação de representações globais das diferenças e assimetrias e a superação de relações simplesmente binárias entre línguas e culturas. Se somarmos a isso as extraordinárias transformações trazidas pela cultura da internet, mudanças que não se limitaram à rapidez nas comunicações, mas alteraram a maneira como entendemos o mundo, o tempo e o espaço, as identidades, os conceitos de original e cópia, autor e reescritor, criando novos textos em novas mídias, perceberemos que a tradução, mais presente do que nunca em todos esses novos topoi, não pode deixar de se transformar como disciplina se quiser se abrir a novas realidades e responder à questão sobre como traduzir textos que não são mais compostos apenas por palavras, mas também por imagens, sons, silêncios ou ruídos.

El libro en el que Bauman (2000) acuñó el término de “modernidad líquida"
Livro no qual Bauman (2000) cunhou o termo “modernidade líquida”.

Atualmente, as zonas de tradução (Apter 2006) são mais amplas e evidentes do que nunca. Aparecem em espaços de conflito, zonas de fronteira, movimentos migratórios e mídias digitais. A tradução deixou de ser a mera transmissão de mensagens de uma língua para a outra e se tornou um processo de negociação entre culturas e sistemas semióticos cada vez mais diversos. Nessas circunstâncias, muitos estudiosos defendem a ampliação da definição de tradução, transformando-a em um “conceito viajante” no sentido proposto por Bal (2002).

As sucessivas “viradas”, da cultural da década de 1990 à tecnológica do século XXI, têm sido muito úteis na adaptação gradual da disciplina aos novos tempos. Se considerarmos como o mundo contemporâneo mudou tecnológica e socialmente nas últimas décadas, compreendemos por que Cronin (2010: 1) destaca a necessidade de superar conceitos como assimilação e uniformidade e a urgência de interconectar todas as línguas, de optar por uma tradução móvel com funções mais amplas, de reexaminar “entendimentos convencionais sobre o que constitui tradução e a posição de quem traduz” (Cronin 2010: 1) e, consequentemente, a urgência de ampliar a definição de tradução para abranger questões prementes como migração (Inghilleri, 2017) ou ecologia (Cronin 2017). Essa urgência é evidente quando refletimos sobre o fato de que muitas pessoas hoje vivem traduzidas, vivem através da tradução, porque estão em campos de refugiados ou em países aos quais chegaram em busca de uma vida melhor. São pessoas que vivem traduzidas e que utilizam uma língua diferente da sua em situações de emergência que nos lembram da necessidade premente de superar o monolinguismo e nas quais traduzir avisos e diretrizes relativos a determinados conflitos para uma língua e não para outra é muitas vezes vital e reflete a assimetria entre as línguas e seus usuários (Federici e O'Brien 2019; Federici 2016).

Los conceptos viajeros de Mieke Bal (2002)
Os conceitos viajantes de Mieke Bal (2002).   

Assim, o que falta é um salto conceitual que permita que quem traduz transite por diferentes disciplinas e deixe claro que traduzir, hoje, é uma tarefa de fundamentos epistemológicos muito amplos. Responder à questão sobre o que é traduzir situa-se, hoje mais do que nunca, em uma zona em constante movimento, descentralizada e territorial: a tradução como uma série de relações:

 […] of created relatedness, between embodied selves, interacting with different cognitive, affective and sensorial environments, and other equally embodied selves for whom those environments are, to a greater or lesser extent, other. (Johnston 2013: 369)

A tradução é entendida como “one of the most important processes that can lead to revitalizing culture, a proactive force that continually introduces new ideas, forms or expressions, and pathways for change” (Gentzler 2017: 8). Trata-se de alcançar uma tradução que se enriqueça graças aos espaços sans borders (Gentzler 2015) nos quais transita: desde traduções no campo da interpretação comunitária ou da língua de sinais e do ativismo até transcriação, transedição, mediação, audiodescrição, traduções intersemióticas, tradução em museus, tradução da oralidade, pseudotraduções, legendagem, “honest subtitling”, “fansubbing”, “fandubbing”, “fanfic”, “fan art”, “fanvids” e “fanfilms”, “crowdsourcing”, “gamers”, “scanlators”, wiki- tradução, edição de páginas da web, processamento de texto em vários idiomas e formatos, uso de ferramentas eletrônicas ou tradução não profissional e muitos outros novos ambientes em que a tradução é necessária, mas para os quais novos métodos de pesquisa e novas ferramentas são imprescindíveis (Olteanu, Stables e Borţun 2019; Cronin 2012; Massidda 2015; Jiménez-Crespo 2017). Estamos imersos em contextos que também geram questionamentos sobre conceitos como colaboração (Alfer 2017; Cordingley e Manning 2017), qualidade, origem ou ética, até então não discutidos (Spinzi, Rizzo e Zummo 2018; Folaron 2018; Baker 2014). Como destacou Delabastita (2003: 9) há alguns anos, “Translation Studies had to be invented, apparently, to show how blurred and how elusive a concept translation really is”.

Existem muitas publicações que estão começando a caminhar nessa direção (Dam, Brogger e Zethsen 2019; Ott e Weber 2019; Brems, Meylaerts e van Doorslaer 2014), assim como iniciativas muito interessantes, como a chamada “translaboration” de Alfer e Zwischenberger, já materializada em artigos muito interessantes (Alfer 2017; Zwischenberger 2019) e em uma edição especial da revista Target (2020). Não se trata de fatos isolados, mas de novas formas de entender a tradução, ampliando sua definição, já que consideram que, atualmente, um texto não é apenas aquele criado com palavras, mas com múltiplos sistemas semióticos que estão se proliferando, como é possível pode observar, por exemplo, no surgimento de monografias em importantes periódicos de nossa disciplina (The Translator 2019, Translation Matters 2019, Target 2020 e Punctum. International Journal of Semiotics 2020) dedicados a esse tema. Alguns estudiosos destacam a necessidade de traduzir também imagens em alguns tipos de texto (Oittinen, Ketola e Bortun 2019); outros, como Gambier e van Doorslaer (2016), incentivam um “border crossing” [“cruzamento de fronteiras”], mapeando as interseções entre tradução e campos como biossemiótica, neurociência, sociologia e estudos de gênero. Blumczynski (2016), por sua vez, enfatiza essa linha de pesquisa examinando a ubiquidade da tradução e seu papel em campos como antropologia, filosofia e teologia. Marais (2019), nesse sentido, cria uma abordagem complexa baseada na semiótica de Peirce.

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[título del epígrafe] O conceito de "outward turn"

Em um artigo publicado em 2011, Bassnett analisa a evolução dos estudos de tradução e conclui que a tradução deixou de ser uma atividade marginal para se tornar uma subjacente a todas as formas de comunicação em nossa sociedade global. Para chegar nisso, partiu-se de uma visão prescritiva da disciplina na década de 1960, que foi gradualmente transformada pelos polissistemas da década de 1970, pelas teorias de James Holmes, por livros clássicos como a obra de Bassnett de 1980, Translation Studies [no Brasil, Estudos de Tradução, publicada em 2005 pela Editora da UFRGS, com tradução de Sônia Gehring, Letícia Abreu e Paula Antinolfi], pelo conceito de manipulação disseminado pela antologia seminal de Hermans de 1985 e, em seguida, pela virada cultural introduzida por Bassnett e Lefevere em seu influente artigo “Proust’s Grandmother and the Thousand and One Nights” (1990). A isso se seguiu o livro de Lefevere, Translation, Rewriting, and the Manipulation of Literary Fame (1992), em que o conceito de “poder” de Michel Foucault apareceria pela primeira vez aplicado à tradução, que então passava a ser compreendida como uma atividade na qual inevitavelmente se manifestam as relações de poder inerentes a qualquer prática textual. Em 1993, Gentzler publicou seu livro Contemporary Translation Theories. Como o autor ironicamente observa na introdução da edição revisada de 2001, a obra foi criticada por incluir teorias em excesso, pois alguns pensadores da área da tradução acreditavam, na época, que a proliferação de teorias seria um fenômeno passageiro, ao passo que a realidade provou o contrário. Em 2002, Tymoczko e Gentzler explicavam “the power turn in Translation Studies” [“a virada do poder nos Estudos da Tradução”], à medida que os estudos pós-coloniais e as teorias feministas da tradução iam se desenvolvendo. Em todas essas viradas, assumia-se que traduzir não poderia ser uma atividade neutra e inocente, porque escrever também não o era (Snell-Hornby, Pöchhacker e Kaindl, 1994; Snell-Hornby 2006). A virada seguinte, a “sociológica” (Wolf e Fukari 2007), está intimamente relacionada à cultural (Zwischenberger 2019). A “translational turn” [“virada translacional”] (Bachmann-Medick 2009) destaca a expansão e a relevância dos processos de tradução cultural em sociedades multiculturais e aplica os “conceitos viajantes” de Mieke Bal (Bachmann-Medick 2016: 119-136; 2009: 24; Blumczynski 2016; Zwischenberger 2019). Depois viria a “technological turn” [“virada tecnológica”] (Cronin 2010), a “post-translation” [“pós-tradução”] (Gentzler 2017) e a “outward turn” [“virada de abertura”] (Bassnett e Johnston 2019).

Una panorámica de la diversidad de teorías y conceptos de traducción (Gentzler 2001)
Um panorama de teorias e conceitos de tradução (Gentzler 2001).

Como vemos, as mudanças em nossa disciplina, especialmente a partir da década de 1980, foram, sem sombra de dúvida, espetaculares. A incorporação de conceitos como manipulação, ideologia, poder, assimetria, representação, etc. levou à ideia de que os estudos de tradução poderiam se tornar um campo subversivo, atento aos jogos de poder entre as culturas do nosso mundo global, um espaço cosmopolita e transnacional que permite uma relação com a diferença (Bielsa, 2016), no qual a tradução fomente “a radical and reciprocal exchange between different forms of being and existing, a questioning of self in light of the difference of the other, which is at the basis of a cosmopolitan notion of genuine openness to others” (Bielsa e Aguilera 2017: 17).

No entanto, há alguns anos, talvez devido à institucionalização da disciplina, os estudos de tradução têm se concentrado excessivamente em ser reconhecidos como um programa independente nos currículos universitários. Após sucessivas viradas, existe o risco de que a disciplina seja engessada pelas universidades como parte do programa institucional e se torne uma “self-contained discipline made up of models and paradigms” que a leve a um isolacionismo que só pode se transformar em autocomplacência, em uma disciplina que é “marketable”, “chic” e “sexy”, “the term of the moment”

Perhaps we have concentrated too hard “on becoming respectable, on claiming to be a discipline, that we have lost our cutting edge. Nothing leads to complacency faster than success; the time has come for those of us who would like to think of ourselves as translation studies scholars to rethink not only how we have come to be here, but where and with whom we want to go next. (Bassnett 2014: 25)

Diante dessa ameaça de estagnação e autocomplacência nos estudos de tradução, há vozes que nos instam a não esquecer que, na era global, os conceitos são caleidoscópicos e que, consequentemente, devem ser abordados a partir das diversas disciplinas pelas quais viajam, o que os enriquece e contribui para o debate cultural. Assim, Zwischenberger (2019), em seu artigo publicado na edição especial de The Translator sobre a outward turn, afirma que a tradução é um protótipo de um conceito viajante entre disciplinas, embora também alerte para o fato de que é usada “as a very broad metaphor in translation studies’ neighbouring disciplines and fields of research. This mobility shows the potential and high polysemantic value of the translation concept. What we are missing, however, is a ‘translaboration’ between translation studies and the various other disciplines that employ translation studies’ master concept” (Zwischenberger 2019: 388). Zwischenberger (2019) prossegue afirmando que, embora a etnografia, a antropologia e a sociologia, entre muitas outras disciplinas, tenham adotado o conceito de tradução em sentido amplo há várias décadas, algo que Bachmann-Medick (2007, 2009) observou há alguns anos, nossa disciplina ainda não conseguiu dar o salto para outros territórios (Zwischenberger 2019: 389). É por isso que Yves Gambier (2016: 887) afirma que:

translation has more often than not seemed to serve the powers that be, ostensibly beholden to established authorities [...] many sponsors, amateurs, self-translators (including scholars translating their own articles), and engineers within language industry continue to consider translation as a mechanical process, a word-by-word substitution, a problem of dictionaries, or simply an activity that accrues no apparent prestige and which can be handed off at any moment to a bilingual relative or colleague.

E se acrescentarmos a isso a autocomplacência, a “inward turn” [“virada para dentro”] dos estudos de tradução como disciplina, fica claro que, neste ponto do século XXI, precisamos repensar os processos de tradução e colocar sobre a mesa as condições a partir das quais podemos falar de uma “outward turn in translation studies”, de uma maior abertura para a interdisciplinaridade, entendida, segundo Brems, Meylaerts e van Doorslaer (2014: 5), como uma combinação de teorias e metodologias de outros campos de pesquisa, como a sociologia ou a filosofia, que são disciplinas que já foram incorporadas à nossa, enriquecendo-a, até outras aparentemente distantes, como a arte. Além disso, esse enriquecimento deve ser mútuo, e essa necessária “virada interdisciplinar” dos estudos de tradução à qual Gentzler (2003: 22) se refere deve até mesmo dar origem a uma “translational turn” em outros campos.

O que Bassnett e outros autores temem é que se tenha dado um passo para trás e que, em vez de olhar para fora, a disciplina tenha começado a olhar para dentro, com planos de estudo próprios, periódicos de alto impacto, editoras e séries dedicadas exclusivamente à tradução, além de conferências e encontros internacionais cada vez mais institucionalizados. Tudo isso é um reflexo, sem dúvida, da maturidade da disciplina. No entanto, aqueles que, nesses mesmos encontros internacionais e nesses mesmos periódicos e editoras, foram pioneiros nas mudanças em direção a definições mais disruptivas de tradução e, consequentemente, possibilitaram grandes avanços, perceberam a tempo que, neste momento, dado o estado da arte e o que de fato foi alcançado, não podemos nos dar ao luxo de habitar um espaço conceitual isolado. Os estudos de tradução, hoje consolidados e reconhecidos como disciplina, precisam transcender suas fronteiras e expandir-se para outras áreas do conhecimento, a fim de se enriquecer-se, tornando-se um campo verdadeiramente interdisciplinar, característica imprescindível em um mundo híbrido, complexo e miscigenado como o nosso. Trata-se de compreender a tradução como um processo contínuo, presente em todo ato comunicativo, como uma condição subjacente às línguas e culturas, capaz de “resist particular social constructions, introduce new ideas, and question the status quo” (Gentzler 2008: 3).

A partir desse novo ponto de partida, a constante indefinição da tradução é considerada algo positivo, que nos alerta contra a ilusão de que é possível capturar a complexidade das culturas e apreender o “real”, a partir de um metadiscurso unívoco (Gambier e van Doorslaer 2009: 142). Essa nova definição também deve ser uma forma de superar o eurocentrismo perigoso e empobrecedor que estava começando a caracterizar nosso campo (Dollerup 2008; Tymoczko 2007; van Doorslaer e Flynn 2013), com o fim de cartografar um novo mapa de relações de poder, de diálogos multiculturais em uma gama cada vez mais ampla de domínios, do jurídico e científico ao da literatura e das artes, incluindo a sociologia, a política ou a mediação intercultural em contextos biossanitários, que permita que nos tornemos uma disciplina independente e estabelecida sem que isso nos obrigue a um isolacionismo perigoso (Brems, Meylaerts e van Doorslaer 2014: 9-10). Dessa forma, os estudos de tradução poderão contribuir para uma profissão ainda mais apaixonante, com foco “on broader translinguistic aspects and transcultural processes” (Bassnett 2011: 72), tornando-se uma disciplina ampla, aberta e dinâmica, um campo de pesquisa sempre em movimento e capaz de cobrir “an impressive spectrum of topics approachable by means of a no less impressive set of tools or methods” (D’hulst e Gambier 2018: 1), ferramentas e metodologias que são, sem dúvida, compartilhadas com outras disciplinas e que, assim, darão a nosso campo de trabalho um dinamismo intelectual e uma interdisciplinaridade com visões caleidoscópicas e plurais, em íntima sintonia com o mundo híbrido e cosmopolita ao qual a atividade está integrada. Junto a outros conceitos já mencionados, como a transcriação, o conceito de multimodalidade de Gunther Kress e Theo van Leeuwen (Kaindl 2013; Dicerto 2018; Spinzi 2019; Pârlog 2019; Boria 2019), ao qual a editora Routledge dedicou uma série inteira, trata-se de uma linha de pesquisa paralela, sem dúvida necessária para os novos textos da sociedade atual e que encontra sua aplicação na “transduction” do silêncio em imagens e outras formas de reescrita “outwards” na obra de Jaworski, entre outros.

Nossa disciplina “needs to reach out to other disciplines […] We need new circuits, that encompass more disciplines, more ways of reading the ever-more intercultural writing that is being produced today. I believe we inside translation studies need to look outwards” (Bassnett 2014: 25). O caminho para a “outward turn” começa com o artigo monográfico de 2019 publicado na revista The Translator, por Bassnett e Johnston, que demonstra claramente as enormes possibilidades abertas. Desde então, essa mudança tem sido aplicada a muitas iniciativas práticas, começando pela ampliação do conceito de tradução por teóricos como Gentzler (2017) e Simon (2012, 2020):

Definitions of language are changing, challenged by proliferating semiotic codes and sign systems, informed by new technologies for the construction of texts, and complicated by factors associated with dialects and emerging languages. Definitions of what constitutes a text are also changing, as more oral and performative texts are included in studies. Lines between translation, adaptation, abridgement, paraphrase, and summaries are blurring. The question of what constitutes a translation is under radical review. While some scholars are threatened by such an expanding terrain, many others in the field find it quite invigorating. (Gentzler 2013: 11)

Por isso seu conceito de pós-tradução está muito em linha com a “outward turn”:

Translation scholars need to look beyond the linguistic and literary to music, lights, set, costumes, gestures, make-up, and facial expressions to better understand this new intercultural and intersemiotic age of translation. As the media changes, so too do the performance options increase, and more dynamic theories of translation and internationalization are needed for the future. (Gentzler 2017: 217)

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 potencial para la investigación Potencial de pesquisa

A virada da tradução em direção a outros campos apresenta inúmeras possibilidades em diferentes disciplinas, como a música (Vidal 2016, 2017), a dança (Vidal 2020) e a arquitetura (Ackan 2012). Da mesma forma, do ponto de vista prático, devem ser destacadas as traduções teatrais de Johnston ou a linha de pesquisa liderada por Campbell e Vidal (2019), que abre a tradução para o campo das artes e nos mostra como, ao compreender nossa disciplina a partir de uma perspectiva muito mais ampla, a arte atual, com muita consciência social, incorpora a tradução ao ativismo nos movimentos migratórios, identitários, de gênero, etc. O esplêndido livro recentemente publicado, Translating Across Sensory and Linguistic Borders: Intersemiotic Journeys between Media, junto a outras iniciativas, é uma implementação prática das ideias da “outward turn”. Além disso, é muito interessante mencionar que a arte contemporânea vem reescrevendo-se há décadas: é importante destacar periódicos como o Journal of Visual Art e o Art in Translation, ou conferências internacionais, como a Art in Translation: International Conference on Language and the Arts (Reykjavik 2012).

Ampliando las fronteras de la traducción
Ampliando as fronteiras da tradução

O mundo acadêmico universitário ainda não se debruçou suficientemente sobre esse ponto, embora teses de doutorado já tenham sido defendidas, incluindo as de Modesta Di Paola (2015) e Anna Dot (2019), que oferecem muitos e excelentes exemplos de artistas que refletem sobre o conceito de tradução em suas obras, como Antoni Muntadas em seu projeto já canônico, On Translation. Em outras ocasiões, o artista parte da tradução como mediação intercultural para abordar a relação entre Oriente e Ocidente, como em A Case Study for Transference (1994), do artista chinês Xu Bing; a legibilidade e a traduzibilidade da caligrafia, como na obra de Mona Hatoum; ou a (in)traduzibilidade, como na peça de Wenda Gu intitulada Forest of Stone Steles. Retranslation & Rewriting of Tang Dynasty Poetry (1993-2005). Além disso, encontramos arte que levanta a questão da tradução entre línguas e linguagens artísticas e suas consequências culturais, sociais ou políticas na obra de artistas como Chantal Ackerman, Ghada Amer, Andrea Frank e outros; assim como a tradução entre meios muito diversos, como escrita, escultura, vídeo, performance, dança, filme e teatro na obra de Joan Jonas, cujas performances, em alguns casos, nascem da ideia de traduzir os labirintos e espelhos de Borges a outro meio (Mirror Pieces, por exemplo, 1969). Os exemplos são múltiplos.

Por outro lado, é muito interessante mencionar que, no mundo da arte, um grande número de exposições giram, há algum tempo, em torno do conceito de tradução, como Translaziuns Paradoxien Malenclegïentschas, em Zurique (2008), Bad Translation, no Crate Space de Margate (2009), Tarjama/Translation, no mesmo ano no Queens Museum of Art de Nova York; o projeto A Collector’s Album of Traders, Traitors, Translators, and Experientialists, do Cabinet Magazine na Sharjah Biennial (2010); Translating as a Structuring Principle, no Gentili Apri de Berlín (2010); Translation is a Mode, no Kunstraum Niederiesterreich de Viena (2010); Found in Translation, organizada pelo Guggenheim de Nova York (2011); Found in Translation, Chapter L, no Casino Luxembourg de Luxemburgo (2011-2012); e The Spiral and the Square. Exercises on Translatability, na Bonniers Konsthall de Estocolmo (2011), com curadoria de Daniela Castro e Jochen Volz, em que participaram mais de vinte artistas com um tema central, a ideia de tradução de Haroldo de Campos, seu conceito de “transcriação”, e o romance Avalovara (1973), do também brasileiro Osman Lins. Além disso, cabe destacar eventos como o segundo Tehran Curatorial Symposium, intitulado “The Curator as Translator” (Teerã, 5-7 janeiro de 2019); o congresso “Babel Global: los vértigos del infinito” (Universitat de Barcelona, 25-26 de outubro de 2018); “Après Babel, traduire” (2016), no MUCEUM de Marselha, entre outros (Dot 2019: 12-13), ou o recente encontro com Antoni Muntadas na Facultad de Traducción da Universitat de Vic (novembro de 2019), organizado pelo grupo de pesquisa da professora Godayol.

O campo da arte é apenas um dos muitos em que a tradução pode ser desenvolvida:

…every discipline derives from and depends upon translation, a dependency that will only increase in the future. Contemporary and increasingly interdisciplinary studies of translation suggest that the borders transgressed in translation tend to be more multiple and permeable than traditionally conceived. It can be argued that from this perspective, I am taking the idea of post-translation to the extreme, but in this book I ask, what if we erase the border completely and rethink translation as an always-ongoing process of every communication? What if translation becomes viewed less as a temporal act carried out between languages and cultures and instead as a precondition underlying the language and cultures upon which communication is based? What if we consider the political, social, and economic structures as built upon translation? What if we view the landscape -the parks, buildings, roads, memorials, churches, schools, and government organizations- not as solely monocultural, but also as a product of post-translation effects? (Gentzler 2017: 5)

Ainda há um longo caminho a percorrer em áreas como políticas identitárias, migração, globalização e literatura mundial (Bassnett e Johnston 2019: 187):

The message to all of us who work in TS is that the field needs to expand outwards, to improve communication with other disciplines, to move beyond binaries, to engage with the idea of translation as a global activity and to configure the planetary into all our thinking. Then maybe this can feed back into the training of a more enlightened generation of translators, better fitted for the future.

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