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índice

Introdução | Legendagem didática | Legendagem didática para surdos e ensurdecidos | Dublagem didática | Voice-over didática | Audiodescrição didática | Comentário livre didático | Potencial de pesquisa

 

Introduction  Introdução 

A Tradução Audiovisual Didática (TAD) é um campo de estudos inovador que surgiu nos âmbitos dos Estudos da Tradução, da Linguística Aplicada e da Educação e que apresentou resultados promissores na implementação de ensino e aprendizado de línguas centrados na pesquisa. Os usos e as aplicações da Tradução Audiovisual  (TAV) no ensino de idiomas remontam à década de 1980, quando alguns estudiosos (Price 1983 e Vanderplank 1988, entre outros) debateram os benefícios observados no uso de materiais legendados para aperfeiçoar habilidades de língua estrangeira nas aulas de idiomas. Desde então, observa-se um interesse acadêmico crescente na aplicação ativa da TAV ao ensino de línguas, isto é, na TAD, a começar pelo trabalho seminal de Williams e Thorn (2000), além de inúmeras publicações nas últimas duas décadas (para uma revisão de literatura, veja Talaván, Lertola & Fernández-Costales 2024). Nos últimos anos, em especial, ao aliar as pesquisas mais atuais à prática em sala de aula, os estudos de TAD proporcionaram a estudiosos, professores e alunos um corpus de pesquisa cada vez mais robusto (para amostras representativas recentes, veja Ávila-Cabrera & Corral Esteban [2021], Bolaños-García- Escribano & Ogea-Pozo [2023], Ibáñez Moreno & Vermeulen [2021], Nicora [2022] ou Rodríguez- Arancón [2023]).

Instituições nacionais e internacionais na Europa já reconheceram os possíveis benefícios da TAD fomentando diversos projetos baseados em pesquisa. No âmbito internacional, o primeiro projeto que criou um software voltado especificamente à legendagem didática foi o LeViS-Learning via Subtitling (2006-2008) (Sokoli, Zabalbeascoa & Fountana 2011). Na sequência dessa colaboração internacional, a ClipFlair-Aprendizado de língua estrangeira por meio de revozeamento interativo e legendagem de vídeos (2011-2014) deu a professores e alunos a oportunidade de realizar atividades de legendagem e revozeamento em um número considerável de línguas dentro da mesma plataforma (Sokoli 2015).

Florida tan Bunny Tradilex
LvS (Learning via Subtitling), a primeira plataforma de legendagem desenvolvida para o aprendizado de línguas. [Fonte: Sokoli 2006] Exemplo de atividade da ClipFlair. [Fonte: Baños & Sokoli 2015] TRADILEX, plataforma para elaborar planos de aula baseados em TAD. [Fonte]

No âmbito da Espanha, o projeto PluriTAV – A Tradução Audiovisual como ferramenta para o desenvolvimento de competências multilíngues na sala da de aula (2017-2019) propôs sequências de TAD desenvolvidas para o ensino presencial, a fim de promover competências plurilíngues (Reverter Oliver & Cerezo Merchán 2021). Mais recentemente, o projeto TRADILEX – A Tradução Audiovisual como recurso didático no ensino de línguas estrangeiras (2020-2023) criou uma proposta metodológica para a TAD e desenvolveu uma plataforma de interface intuitiva, com mais de 60 planos de aula de variadas modalidades de TAD para estudantes de inglês como língua estrangeira (EFL) nos níveis B1-B2 (outros planos de aula para diferentes idiomas e níveis de proficiência estarão disponíveis no futuro), sendo adequados para o ensino presencial e a distância (Fernández-Costales, Talaván & Tinedo-Rodríguez 2023).

Estudos já demonstraram que o emprego da TAD pode ter um impacto positivo no ensino de línguas (Talaván, Lertola & Fernández-Costales 2024) por vários motivos, incluindo o fato de que as atividades de TAD proporcionam um aperfeiçoamento holístico das competências linguísticas de modo geral, além de ativar habilidades de mediação, produção e recepção de forma integrada.

Libro Talavan

A TAD também apresenta algumas limitações: embora não seja necessária experiência prévia em tradução, recomenda-se apresentar aos alunos atividades simples de TAD antes de pedir que produzam, do zero, a legendagem ou o revozeamento de um trecho. Além disso, os professores precisam de algum treinamento, sobretudo no nível técnico. Por fim, uma questão importante é a ausência de materiais prontos para o uso, o que está sendo resolvido gradualmente com a criação de plataformas on-line de ensino de línguas, como a ClipFlair e a TRADILEX.

A maioria das modalidades de TAV pode ser aplicada como recurso didático no contexto do ensino de línguas, e muitas já foram postas em prática por professores e pesquisadores nos últimos vinte anos (Talaván, Lertola & Fernández-Costales 2024). Duas delas, a legendagem e a dublagem, receberam maior atenção, já que são as modalidades deTAV mais conhecidas e adotadas e, portanto, mais acessíveis e familiares a professores e estudantes. Nas seções e subseções seguintes, apresentaremos as principais modalidades de TAD, que variam das mais utilizadas e comuns até as que receberam menos atenção e ainda precisam de mais pesquisa e aplicação prática para serem descritas e categorizadas em termos pedagógicos: legendagem, dublagem, audiodescrição (AD), legendagem para surdos e ensurdecidos (LSE), voice-over e comentário livre.

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[heading title]  Legendagem didática

A legendagem didática (LD) é entendida como a inclusão de legendas a excertos pré-selecionados de vídeos como uma atividade pedagógica para o aprendizado de línguas. Distingue-se do uso de legendas como apoio, uma vez que nesse caso elas não são aplicadas como um recurso didático, e, sim, como uma ferramenta de auxílio à compreensão. No entanto, ambos os conceitos não estão de todo separados, já que o uso de legendas como apoio é frequentemente incluído nas atividades de LD na fase de visualização, isto é, o vídeo a ser legendado costuma ser pré-visualizado com legendas funcionando como recurso de apoio (normalmente em uma língua diferente daquela exigida para a atividade de legendagem).

A LD oferece uma grande flexibilidade na sua aplicação, dado que pode assumir variadas formas, a depender do tipo e da direção da tradução. Determinados tipos e direções podem ser mais adequados para certos contextos e grupos de estudantes, além de aprimorar habilidades comunicativas com mais intensidade do que outros. Os principais tipos de LD são: a intralingual (L2-L2), a interlingual (da L2 para a L1 ou da L1 para a L2) e a criativa (que pressupõe a “recriação” do texto audiovisual original pelos estudantes, produzindo uma versão diferente dos diálogos no formato de legendas, podendo ser intralingual ou interlingual em qualquer direção).

Subtitling
Exemplo de legendagem na plataforma TRADILEX [Fonte]

A legendagem, devido às restrições de tempo e espaço, exige que os alunos entendam o texto original e saibam transferir a mensagem principal, fazendo uso de estratégias de redução e condensação (incluindo a omissão) que treinam de forma eficaz as habilidades de mediação conforme descritas no volume complementar do CEFR (Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas, Europa 2018). No caso da legendagem interlingual, quando há transferência de uma língua para outra, além de desenvolver as habilidades de mediação, as principais vantagens são aquelas relacionadas à tradução como ferramenta pedagógica no aprendizado de línguas, levando à análise contrastiva entre L1 e L2. Ademais, a natureza multimodal da atividade de legendagem promove a aquisição vocabular e a sensibilidade intercultural.

A legendagem, em todas as suas formas, tem sido a modalidade de TAD mais estudada no ensino de idiomas, desde que pesquisadores previram o potencial ao mudar do uso de legendas intra ou interlinguais como material de apoio para a criação de legendas por estudantes de línguas. O primeiro trabalho em LD (Talaván 2013) deu aos leitores todas as informações práticas necessárias para aplicar a legendagem à sala de aula. O segundo trabalho relacionado (Lertola 2019) revisou as principais linhas de pesquisa e tópicos investigados com relação à LD (e outras modalidades de TAD) nas primeiras duas décadas do século XXI. Conforme descrito e analisado em detalhes no livro mais recente sobre TAD até o momento (Talaván, Lertola & Fernández-Costales 2024), todas as habilidades de segunda língua ou língua estrangeira podem ser aperfeiçoadas com a LD, tanto as produtivas (produção oral e escrita) quanto as receptivas (compreensão oral e escrita), além da mediação. Dependendo da abordagem da atividade e do tipo de legendagem (e do par de línguas), uma habilidade ou atividade comunicativa pode ser aprimorada com mais intensidade do que outra.

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[heading title] Legendagem didática para surdos e ensurdecidos

A legendagem didática para surdos e ensurdecidos (ou LSE didática) pode ser definida como uma atividade pedagógica em que os alunos se envolvem em uma prática de acessibilidade de mídia por meio da produção de LSE para um excerto pré-selecionado de um vídeo. Ou seja, alunos criam uma LSE com o objetivo de tornar um pequeno trecho de um vídeo acessível para uma pessoa com surdez ou deficiência auditiva. O vídeo escolhido para a LSE deve ter elementos como sons, músicas, mudanças no clima da narrativa e outros recursos paralinguísticos; por exemplo, desenhos animados costumam ser boas opções para a LSE didática, considerando as músicas, os sons e as mudanças de clima da narrativa que costumam ocorrer.

Assim como a LD, a LSE didática oferece muita flexibilidade de aplicação, dado que pode assumir diferentes formas, a depender do tipo e da direção da tradução. Determinados tipos e direções podem ser mais adequados para certos contextos e grupos de estudantes, além de aprimorar habilidades comunicativas com mais intensidade que outros. Os principais tipos de LSE didática coincidem com os da LD: a intralingual (L2-L2), a interlingual (da L2 para a L1 ou da L1 para a L2) e a criativa (que pressupõe a “recriação” do texto audiovisual original pelos alunos, produzindo uma versão diferente dos diálogos e dos elementos paralinguísticos na LSE, podendo ser intralingual ou interlingual em qualquer direção).

SDH
Exemplo de LSE [Fonte]

Mesmo que haja similaridades entre ambas as práticas, a principal diferença entre a LD e a LSE didática está na dimensão da acessibilidade: (1) a descrição dos sons, o clima da narrativa, a música e outros recursos paralinguísticos necessários para produzir uma LSE levam os alunos a desenvolverem mais intensamente a criatividade, além de enfocar o vocabulário de forma mais específica; (2) a sensibilidade para a acessibilidade em mídias pode ser trabalhada pelo simples ato de introduzir a LSE didática ao contexto educacional.

Cabe ressaltar que a LSE didática sempre exige um esforço maior dos alunos, em qualquer nível de L2, porque eles precisam realizar uma tradução intersemiótica (além da tradução propriamente dita), já que é necessário buscar formas precisas e adequadas de descrever um som, clima, tom, música etc. específicos. Portanto, em uma sequência com mais de uma modalidade de TAD, a LD deve preceder a LSE didática, trazendo assim as atividades de TAD de forma escalonada, sempre que possível.

Estudos recentes (ver Bolaños-García-Escribano & Ogea-Pozo 2023 e Tinedo-Rodríguez & Frumuselu 2023) evidenciaram os possíveis benefícios da LSE no ensino de idiomas. Essa modalidade de acessibilidade didática é capaz de aperfeiçoar habilidades de comunicação integradas, assim como a LD, com a diferença de trabalhar mais o vocabulário em qualquer direção, ajudando alunos na aquisição de novos vocábulos e expressões e na sua retenção para um uso mais eficaz no futuro, considerando o processo de pesquisa (pela forma mais precisa e concisa de expressar um tipo de som, clima, estilo musical etc.) que eles desempenham, a natureza intersemiótica da mediação nesse caso e a incorporação efetiva dos termos correspondentes nas legendas.

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[heading title] Dublagem didática

A dublagem didática (DD) pode ser descrita como a substituição do texto falado original de trechos de vídeos pré-selecionados por um diálogo oral pré-roteirizado, realizada por estudantes de línguas como uma tarefa pedagógica. A nova trilha de áudio deve ser sincronizada com os movimentos labiais dos personagens e, para gravá-la, os estudantes devem preparar o roteiro de dublagem previamente e depois lê-lo o mais naturalmente possível.

A DD também pode assumir múltiplas formas a depender do tipo e da direção da tradução. Cada tipo e direção podem ser mais adequados para determinados contextos e grupos de estudantes, bem como para aperfeiçoar algumas habilidades comunicativas mais intensamente do que outras, assim como no caso da LD. A DD pode ser: intralingual (L2-L2), interlingual (apenas da L1 para a L2) e criativa (a “recriação” do original pelos estudantes, em que produzem uma versão diferente dos diálogos na forma de dublagem intralingual ou dublagem interlingual da L1 para a L2).

Student sample
Captura de tela de uma amostra de dublagem de um estudante. [Fonte]

Independentemente do tipo, o aspecto mais desafiador da DD é a sincronização labial. Os estudantes devem adequar seus diálogos orais aos movimentos da boca dos personagens. Todas as habilidades linguísticas podem ser aperfeiçoadas graças à DD, a saber, produção oral e escrita e compressão oral e escrita, bem como mediação. A depender do tipo de dublagem e da combinação linguística, uma habilidade pode ser estimulada mais intensamente do que as outras. A dublagem intralingual didática exige que os estudantes dublem na L2, produzindo assim uma reprodução literal dos diálogos originais. Em primeiro lugar, eles devem entender o original para escrever o roteiro, depois devem praticar a produção oral, ao ler e gravar o roteiro de dublagem. Além disso, a DD pode engajar os estudantes de uma perspectiva mais lúdica, pois precisam emprestar suas vozes aos atores, podendo incluir alguma dramatização. A dublagem interlingual didática requer que os estudantes transmitam a mensagem oral da L1 para a L2, conhecida como reversa, que é a única combinação interlingual possível para a DD, pois a outra opção eliminaria a língua-alvo da produção final dos estudantes. A DD criativa envolve a reformulação do texto falado original pelos estudantes, seja ela intralingual ou interlingual  (reversa), a fim de produzir um efeito específico no público (normalmente humorístico). Além de promover habilidades linguísticas integradas, a incorporação tanto da criatividade quanto do humor na tarefa de TAD aumenta a motivação.

A DD é a segunda modalidade de TAD mais estudada depois da legendagem. Vários estudos empíricos realizados até o momento apresentam evidências que ratificam sua eficácia (tanto da DD intralingual quando da interlingual reversa) no ensino de línguas (veja Danan 2010 ou Sánchez-Requena 2020 como exemplos representativos). Pesquisas empíricas mostram que a DD pode aperfeiçoar habilidades de produção oral, principalmente em termos de entonação, pronúncia e fluência. Mais recentemente, a dublagem didática criativa vem recebendo uma atenção extra e precisa ser tema de mais pesquisas. O mais notável é que a DD criativa pode se mostrar especialmente motivadora para estudantes de línguas em contextos educacionais diversos, isto é, educação básica ou universitária, incluindo línguas para fins específicos (Ávila-Cabrera & Corral- Esteban 2021; Fernández-Costales 2021).

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[heading title] Voice-over didática

A voice-over didática (VOD) é o acréscimo de um diálogo oral pré-roteirizado a trechos de vídeos pré-selecionados, em que o texto falado original ainda é audível a um volume mais baixo. A nova trilha de áudio é gravada por estudantes de línguas com um leve retardo de 1 a 2 segundos depois que os personagens começam a falar, não se exigindo sincronização labial. Como no caso da DD, antes de gravar, os estudantes devem preparar o roteiro de voice-over previamente e depois falá-lo ao gravar com o máximo de naturalidade possível.

A VOD oferece possibilidades semelhantes para a aplicação à DD. De novo, cada tipo e direção podem ser mais adequados para determinados contextos e grupos de estudantes, bem como aperfeiçoar algumas habilidades comunicativas mais intensamente do que outras. A VOD pode ser: intralingual (da L2 para a L2), interlingual (direta da L2 para a L1 ou reversa da L1 para a L2) e criativa (a “recriação” do original pelos estudantes, em que eles produzem uma versão diferente dos diálogos na forma tanto de voice-over intralingual quanto interlingual reversa ou direta).

Woolf

Curta-metragem baseado em “Um quarto só seu”, de Virginia Woolf, desenvolvido para tarefas de voice-over didática. [Fonte]

Assim como em outras modalidades de TAD, a VOD também permite aperfeiçoar habilidades linguísticas integradas e mediação. A voice-over intralingual didática exige que os estudantes ouçam o áudio em L2 de um trecho de vídeo pré-selecionado, escrevam um roteiro preliminar e façam o revozeamento na L2. Um elemento distintivo da voice-over é a isocronia (isto é, o novo áudio deve entrar de 1 a 2 segundos após o início do diálogo original e, se possível, terminar de 1 a 2 segundos antes do término do original). Por esse motivo, a voice-over implica redução e/ou refraseamento do texto original, por meio de estratégias de condensação e reformulação, incluindo omissão de elementos evitáveis, quando aplicável, como acontece com a legendagem. Assim sendo, mesmo que a transferência seja intralingual, o novo roteiro de voice-over diferirá do original. Diferentemente da DD, a voice-over interlingual didática tanto pode ser reversa (da L1 para a L2) quanto direta (da L2 para a L1), já que a voice-over interlingual direta da L2 para a L1 poderia também ser benéfica para o ensino de línguas, desde que a L2 ainda seja audível no fundo durante a gravação e no vídeo final produzido pelo estudante.

Pesquisas empíricas sobre VOD ainda são limitadas, mas o interesse por essa modalidade de TAD está crescendo continuamente. Estudos e propostas pioneiros mostram seus benefícios para o desenvolvimento de habilidades de produção oral, principalmente pronúncia (Talaván & Rodríguez-Arancón 2018). A VOD pode se mostrar especialmente benéfica no desenvolvimento de habilidades linguísticas integradas devido a seu processo abrangente de escuta da trilha sonora original, escrita do roteiro (tanto paráfrase quanto tradução) e sua leitura em voz alta para criar uma nova trilha de áudio. Além disso, é uma tarefa de aprendizagem flexível que poderia ser empregada em sinergia com Aprendizagem Integrada de Conteúdos e Línguas Estrangeiras (CLIL), Inglês para Fins Específicos (ESP) e mais especificamente com Inglês para Fins Sociais de Cooperação (ESoP) (Tinedo-Rodríguez 2022).

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[heading title] Audiodescrição didática

A audiodescrição didática (ADD) exige que os estudantes de línguas transfiram a informação visual de um produto audiovisual em palavras durante os intervalos em silêncio de um trecho de vídeo pré-selecionado. Os estudantes devem identificar e fornecer cuidadosamente informações adicionais sobre os indivíduos que aparecerem no vídeo, bem como dos eventos em curso e dos locais em que ações ocorrerem. Como a ADD é originalmente um modo de acessibilidade, os estudantes precisam descrever apenas o que as pessoas com baixa visão não perceberiam.

AD sample
Mostra de ADD. [Fonte]

Deve-se observar que, diferentemente de outras modalidades de TAD, a transferência da TAD é intersemiótica (isto é, do não verbal para a L2). Contudo, para fins pedagógicos, a intersemiótica, intralingual e interlingual reversa também são foco da ADD, já que o trecho de vídeo pré-selecionado pode conter diálogos em L2 ou L1. Estes não devem ser traduzidos, mas sua compreensão é de importância essencial para preparar a AD. No contexto educacional, a ADD criativa também é estimulada, já que os estudantes podem traduzir imagens em palavras de uma forma criativa, a fim de produzir um novo efeito, normalmente humorístico, no público.

A ADD é uma tarefa desafiadora para os estudantes de línguas, pois demanda um alto nível de precisão no detalhamento de elementos visuais sob restrições de tempo. Essa modalidade de acessibilidade de mídia pode contribuir para o aperfeiçoamento de habilidades linguísticas integradas e se mostrou benéfica para aquisição de vocabulário e desenvolvimento da gramática (veja Calduch & Talaván 2018 ou Ibáñez & Vermeulen 2021 para exemplos representativos). Assim como a LSE didática, a ADD também pode contribuir para conscientizar estudantes de línguas sobre questões de acessibilidade (Ogea-Pozo 2022).

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[heading title] Comentário livre didático

O comentário livre didático (CLD) exige que os estudantes transfiram e adaptem o diálogo original (se existente)         e forneçam as informações visuais em uma L2, pela incorporação de acréscimos ou esclarecimentos de elementos interculturais. Como no caso da ADD, os estudantes devem preparar o roteiro em L2 previamente e depois gravá-lo com os elementos visuais.

Assim como na ADD, o tipo quintessencial de transferência é a intersemiótica, mais a intralingual e a interlingual reversa, já que os estudantes devem traduzir as imagens em palavras. Em particular, no CLD, os estudantes não apenas transferem ou traduzem para a L2 o texto falado original em L2 ou L1, mas também se espera que enriqueçam a trilha de áudio final com informações relevantes sobre aspectos interculturais. Em todos os casos, o objetivo principal não é ser especialmente fiel às imagens e à trilha sonora original, mas transmitir a mensagem central acrescentando mais informações relevantes e omitindo detalhes desnecessários. De modo geral, o CLD   proporciona aos estudantes um maior grau de liberdade, se comparado com outras modalidades de TAD, pois pode focar em determinados elementos, a critério de quem o produz. O CLD criativo é outra tarefa possível, na qual os estudantes podem criar um roteiro completamente novo a partir de dicas visuais, principalmente com objetivos humorísticos.

O comentário livre é a modalidade de TAD relativamente menos frequente e é feito principalmente em documentários e programas infantis. Só recentemente, pesquisadores e professores começaram a demonstrar interesse na aplicação desse modo ao ensino de línguas devido à sua natureza flexível: o objetivo principal do CLD é transmitir a mensagem central em vez de se prender ao texto-fonte, e os estudantes podem focar em elementos (inter)culturais de forma livre ou orientada. Essas características inerentes permitem o emprego do CLD em todos os níveis educacionais, incluindo a educação infantil e primária (Lertola 2021).

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 Research potential Potencial de pesquisa

A TAD tem sido tradicionalmente associada ao ensino de línguas e à formação de tradutores. Como visto na literatura, os pesquisadores têm enfatizado os benefícios do uso da TAD, argumentando que, quando usadas com eficácia, as atividades de revozeamento e legendagem contribuem para o desenvolvimento de habilidades comunicativas tanto produtivas quanto receptivas, bem como aquisição de vocabulário, sensibilidade intercultural e motivação. Apesar de a pesquisa atual ter fornecido evidências substanciais dos efeitos benéficos da TAD no ensino de línguas e na formação de tradutores, ainda há espaço para mais pesquisas, pois há várias áreas que ainda não foram suficientemente examinadas até o momento.

Para começar, há uma necessidade urgente por desenhos de pesquisas multimetodológicas que combinem dados quantitativos e qualitativos, pois tais estudos contribuiriam para garantir que as metodologias da TAD sejam robustas e empiricamente sustentáveis. Além disso, a combinação de literatura com filmes e mídias na sala de aula de línguas tem um grande potencial em relação ao campo dos estudos transmídia. De forma semelhante, a aplicação da TAD para línguas minoritárias parece ser muito promissora, ainda exigindo mais pesquisas. Apesar de haver estudos sobre TAD e fluência, a fonética e a entonação continuam a ser elementos de produção oral que merecem mais atenção. Um argumento semelhante poderia se aplicar a modalidades de TAD menos estudadas, como a localização de videogames e legendagem refalada (respeaking), que ainda estão subexploradas. Outras áreas que só foram mencionadas, mas permanecem sem pesquisas até o momento, são a aplicação da TAD a estudantes de línguas com baixa visão ou ensurdecidos, as possibilidades de adaptação da TAD a vídeos verticais produzidos pelos próprios estudantes via compartilhamento de vídeos em redes sociais ou aplicações a outras áreas menos correlatas, como a psicologia ou a área da saúde, em que a TAD pode ser usada em terapia (veja o projeto Dulcinea).

Além disso, a TAD pode ser usada na educação primária ou secundária, mas não há muita pesquisa sobre o potencial da legendagem e revozeamento como recursos de aprendizagem de inglês para crianças (Fernández-Costales 2021; Nicora 2022). Mais atenção deveria ser dada à aplicação da TAD a contextos educacionais bilíngues em termos de Aprendizagem Integrada de Conteúdos e Línguas Estrangeiras (CLIL) nas escolas primárias e secundárias, assim como por programas de Inglês como Meio de Instrução (EMI) na educação superior. O treinamento de professores de línguas na concepção e implementação de tarefas é da maior importância, desde que, ao integrar materiais em vídeo a contextos de ensino de línguas, muitos professores podem não estar familiarizados com a TAD. Assim sendo, a formação de professores de TAD, uma das áreas de pesquisa mais necessárias no momento (Lertola & Talaván 2022; Sánchez-Requena, Igareda & Bobadilla-Pérez 2022), deve incluir os fundamentos das várias modalidades de TAD e também fornecer orientação e assistência técnica à concepção de tarefas de TAD pedagogicamente sólidas.

Explorar uma disciplina jovem, porém bem estabelecida como a TAD, se torna particularmente útil devido à sua natureza interdisciplinar, que apresenta um solo fértil para mais pesquisas. A convergência de insights oriundos de vários campos expande o escopo de pesquisa, mas também apresenta um potencial pedagógico considerável no campo do ensino de línguas. Um mergulho mais profundo na TAD se torna crucial para o apoio aos estudantes de línguas no desenvolvimento de uma proficiência linguística abrangente que pode capacitá-los a praticar uma comunicação eficaz em situações no mundo real.

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