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Introdução | A origem da tradução religiosa | Em direção à classificação da tradução religiosa | A tradução da Sagrada Escritura ou livro sagrado | Tradução como fonte de conflitos inter-religiosos | Tradução como fonte de conflitos intra-religiosos | Conclusão | Potencial de pesquisa

 

Introducción  Introdução

A tradução religiosa tem sido frequentemente investigada por estudos individuais de natureza histórica (Santoyo 2004) ou filológica (Alvar 2010) apesar de, até alguns anos atrás, não haver abordagens teóricas sobre ela. A definição do conceito de "tradução monástica" (Bueno 2007), inspirada em abordagens de polissistemas, tem sido essencial para investigar a tradução de religião de forma mais ampla e estudá-la a partir de uma perspectiva multidisciplinar. A tradução em contextos religiosos é interessante para diferentes áreas da ciência como a linguística (em suas diversas  ramificações: sociolinguística, lexicográfica e lexicológica) a teologia, a filosofia,a psicologia, a antropologia, a história das religiões, a literatura comparada, a arqueologia e muitas outras áreas presentes em pesquisas sincrônicas e diacrônicas. Debatê-la a partir da perspectiva dos estudos da tradução amplia sua dimensão, tendo consequências diretas para a história, teoria e didática da tradução. A tradução religiosa deve ser abordada por meio de novos procedimentos e com a ajuda de especialistas não só em línguas modernas, mas também de clássicas, antigas e indígenas. O conhecimento histórico e o cultural são bons aliados para esse tipo de pesquisa. Entre as surpresas que reservam, encontramos uma ampla gama de tipologias de textos e a descoberta de tipos de tradução, baseadas no poder das imagens ou da transmissão oral que não têm sido suficientemente debatidas até agora. Muitas das descobertas presentes nesses estudos referem-se à figura da pessoa tradutora e aos diferentes tipos de recepção. Por fim, essa é uma abordagem capaz de abrir novos horizontes na história e teoria da tradução. Este trabalho analisa as origens da tradução religiosa, sua tipologia textual, as problemáticas das Sagradas Escrituras ou livros sagrados e a tradução como fonte de conflitos inter e intra-religiosos. Neste verbete, a leitora ou leitor também encontrará várias perspectivas para maior análise e pesquisa.

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[título del epígrafe] A origem da tradução religiosa

A tradução religiosa foi provavelmente um dos primeiros tipos de tradução a ser feita, considerando seus indícios históricos. No berço da civilização, localizado entre a Mesopotâmia, Anatólia e o Egito, há indícios que confirmam o fato de que, entre os primeiros textos escritos, havia aqueles de característica religiosa, refletidos em coleções das bibliotecas da Babilônia, como as de Assurbanípal, contendo escritos de sacerdotes que resguardavam o relacionamento entre o monarca e o mundo divino para garantir a sobrevivência do reino. As Sagradas Escrituras de diferentes religiões também estão entre os primeiros textos de cada língua. No Egito Antigo , o faraó Ptolomeu Filadelfo (308-246 a.C.), antecessor de Ptolomeu V, descreveu, na Pedra de Roseta  (o primeiro registro escrito da tradução de hieróglifos egípcios), que encomendou a 72 homens sábios da Judeia (6 de cada tribo) que traduzissem o Pentateuco de Moisés (Pentateuch) para o grego. Dessa forma, possibilitou que Judeus alexandrinos, que haviam esquecido o hebraico, conseguissem entender os textos sagrados. Depois ele encomendou outras traduções do Antigo Testamento para completar a versão conhecida como Septuaginta, a Versão Septuaginta ou a Versão Alexandrina

Estatua de Buda El Corán traducido al español
Buda  O Alcorão, traduzido para o espanhol  [Fonte]

O desejo de preservação, comum a todas as religiões, foi o motivo pelo qual a escolha de traduzir as Sagradas Escrituras para outras línguas foi feita bem cedo (quase todas ao mesmo tempo). O desejo em tornar cada fé compreensível em outros dialetos, outras línguas e culturas teve um papel importante nesse processo, ao lado de fatores como a inevitável evolução das línguas ocorrida ao longo do tempo, fazendo com que as pessoas de um mesmo território não fossem capazes de entender ou ler o texto original. Entretanto, a experiência em cada religião foi certamente diferente, dependendo das circunstâncias sociais, do momento e da natureza do texto. Assim, a Bíblia (latim para “livros”), por exemplo, que engloba o Antigo e Novo Testamento, é o texto sagrado da religião (monoteísta) cristã, a qual foi escrita por profetas, estudiosos e evangelistas. O Tanakh e o Talmud (do hebraico תַּלְמוּד talmūd, "instrução", "ensinamento") são os principais códigos civis e religiosos do Judaísmo (religião monoteísta), que foram escritos por estudiosos hebreus da Babilônia e Israel para louvar Yahweh. Por sua vez, o Alcorão, Qur'an, Quran ou Koran (do árabe القرآن, al-qurʕān, "a recitação"), que é a Palavra de Deus (Allah) revelada a Maomé pelo anjo Gabriel, é considerado a palavra "eterna e inadulterada" de Deus na religião muçulmana, que não pode ser traduzida e cuja transmissão deve ser feita em árabe clássico, sem mudanças da língua original. O Tipitaka ou Tripitaka (do Pali ti "três" e pitaka पिटक ou pita पिट "cestas" ou bambu ou caixas de madeira onde textos sagrados eram guardados), também chamada do Cânone Pali, é a Sagrada Escritura do Theravada, religião budista (politeísta), escrita por vários padres em colaboração com o próprio Buda. Os Vedas (palavra do sânscrito, vinda da palavra do Indo-Europeu significando "ver"), consistindo do Rig Veda, o Yajurveda, o Samaveda e o Atharavaveda, são os textos sagrados da religião Hindu (politeísta), escritos por estudiosos e poetas religiosos, que receberam uma revelação transmitida oralmente pelas divindades. Dàodé Jing or Tao Te Ching (do chinês: 道德經 "O Caminho da Verdade e da Virtude") é o livro sagrado do Taoísmo (religião politeísta), que foi inspirado pelas ideias de Lao-Tze ou Lazoi (filósofo chinês e contemporâneo de Confúcio, século VI d.C), considerado uma divindade Taoista e provável autor das Sagradas Escrituras.

Houve diversas línguas que conseguiram reconhecimento ou cujos sistemas escritos emergiram de textos religiosos, como o castelhano, cuja forma escrita nasceu das glosas dos monastérios de San Millán de la Cogolla e Santo Domingo de Silos, ou o árabe clássico, originário dos versos do Alcorão. As pessoas tradutoras  que lidaram com esses textos foram algumas das primeiras a serem reconhecidas na história, como no Oriente Médio (Aquila, Simmacchus, Theodotion, Taciano o sírio), na Europa (São Jerônimo Dalmácia ou os hispânicos Ávito, Martin de Braga e Pascácio de Dumium) e também na Ásia (Zhi Qian, o Indo-cita ou o  monge budista Xuanzang).

A tradução desses textos nunca passou despercebida, e também conseguiu destaque por ter sido adaptada para outras línguas e culturas. Em relação à Bíblia, a tradução feita por São Jerônimo para o latim vulgar (que deu origem ao seu nome, Vulgata) marcou um ponto de inflexão na história da tradução, uma vez que a interpretação do autor "em direção ao sentido" (nec verbum e verbo sed sensu exprimere de sensu), gerou conflitos e acarretou consequências sérias, incluindo a censura de parte do texto por milhares de anos. Os problemas com a tradução da Bíblia durante e depois do Humanismo não foram menos sérios. Os Exegetas do Alcorão zelaram em garantir a interpretação correta das palavras de Allah, e também acarretou muitos problemas causados por comentaristas; isso também ocorreu em outras religiões. Podemos dizer que sempre que uma nova interpretação das Sagradas Escrituras surgia, as fundações da ortodoxia eram ameaçadas. A supervisão da tradução envolveu instituições como a Inquisição, comissões fiscalizadoras e conselhos de diferentes religiões (islâmica, judaica etc.).

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[título del epígrafe] Em direção a uma classificação de tradução religiosa

O tradutor, o texto e o leitor alvo são elementos essenciais para a transmissão religiosa. A figura de quem traduz textos religiosos deve ser abordada a partir de pontos de vista e perspectivas diferentes. A categorização da tradutora ou do tradutor religioso deve considerar fatos diversos como: a identidade da autora ou do autor, sua aderência às crenças, sua relação com o texto e com quem vai recebê-lo (considerando aqui as condições de recepção), que, por conseguinte, também justifica os objetivos e a função de sua tradução. Em relação ao comprometimento com a fé, as tradutoras e tradutores podem ser considerados fiéis, adeptos de outra religião, apóstatas, agnósticos, ateus etc.; essas são características essenciais que influenciam o resultado do texto. O papel do texto na relação com a pessoa receptora pode ser: educacional, apostólico, missionário etc. A identidade dessa pessoa receptora, que claramente influencia na recepção da obra, pode seguir o mesmo padrão daquele da pessoa tradutora. No caso das condições de recepção, a situação social na qual a tradução é apresentada e a reação de quem a recebe têm grande influência: favorável, desfavorável ou indiferente, dependendo do sentimento de aceitação ou rejeição das ideias (quanto maior é a afinidade cultural, maior é o potencial de sucesso da pessoa tradutora).

Santa Marcela y San Jerónimo discuten la traducción de la Biblia La Biblia de Lutero
Santa Marcella e São Jerônimo discutem a tradução da Bíblia [Fonte]

A Bíblia de Lutero [Fonte]

A resposta da pessoa tradutora ao texto é particularmente interessante, independente de status e denominação (monge, frade, padre, imã, brâmane etc.). Devido à correlação entre sua tarefa e vida religiosa, tudo faz sentido na transmissão. A simbiose entre textos e pessoas tradutoras dentro da estrutura religiosa deu origem ao conceito de "tradução monástica" (Bueno 2007) ou "tradução religiosa" de uma forma mais ampla, na qual a religiosidade é o vetor que dá coesão para o texto traduzido e nos possibilita entender o interesse pelo trabalho, as implicações da personalidade da pessoa tradutora (monge, frade, padre diocesano etc.), o espaço no qual o trabalho é conduzido (monastério, convento, ou até mesmo fora das fronteiras, no caso de missões), a função, o modus operandi, os objetivos ou personalidade do público alvo do texto.

A tipologia do texto religioso também varia muito a depender da sua natureza, sendo bíblica, teológica, litúrgica, dogmática etc. Ao mesmo tempo, é impossível desconsiderar que um texto científico, literário, filosófico etc. também não tenha um padrão religioso. As pessoas religiosas, em seu compromisso  missionário, também têm feito muito para a lexicografia e a lexicologia em obras gramaticais, dicionários e vocabulários para que essas obras também possam ser consideradas como tipos de tradução. Por fim, o espírito religioso pode ser encontrado em todos os tipos de comunicação e expressão, oral ou escrita. 

A transmissão de textos sagrados, com raras exceções, tem sido – e ainda é, em grande parte– de responsabilidade do clero, mesmo que não seja a única. A tarefa de traduzir ou interpretar as Sagradas Escrituras é certamente árdua, e requer anos de esforço, assim como de ajuda. No caso da Bíblia, aparentemente havia "setenta" tradutores da primeira versão hebraica e as equipes que as sucederam ao longo dos anos, como as que são comumente formadas hoje, são certamente similares em números. Entretanto, temos a tendência de nomear apenas a figura líder do grupo, como São Jerônimo, Lutero, Cardenal Cisneros etc., mas por trás de São Jerônimo, devemos mencionar outras e outros como Rufino de Aquileia e um grupo de mulheres que influenciou no resultado da tradução: Paula, Eustóquia e Marcella (Bueno 2015). Lutero trabalhou em Wartburg com outros teólogos como Filipe Melâncton, Matthäus Aurogallus, Johannes Bugenhagen, Caspar Creuziger, Justus Jonas e Georg Rörer. Alonso de Alcalá, Pablo Coronel, Alfonso de Zamora, Demétrio Ducas e Hernán Núñez de Toledo trabalharam na Bíblia poliglota do Cardenal Cisneros. O auxílio de tradutoras e tradutores, que costuma ser ignorado, deve ser considerado, em boa medida, como parte importante dos grandes projetos das pessoas autoras mencionadas. No caso da tradução nos monastérios, a vida comunitária influenciou o trabalho de copistas e de tradutoras e tradutores, devido às intervenções diretas e indiretas no seu trabalho em várias ocasiões.

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[título del epígrafe] A tradução da Sagrada Escritura ou do livro sagrado

A tradução de textos religiosos é uma forma importante de expansão e de conhecimento de ideias religiosas em quaisquer de suas formas: seja a tradução propriamente dita, a de textos paralelos (edição poliglota), exegese, comentários etc. O desejo de traduzir surge, como mencionado acima, da necessidade de tornar o texto compreensível, devido ao passar do tempo ou a uma mudança de mentalidade, sendo requerida para a doutrinação de pessoas que não entendem a língua de partida, tanto em casos nos quais a religião permite a tradução quanto em outros, como acontece com muçulmanos que não entendem árabe, o que é algo muito comum. Por exemplo, em Al-Andalus, Içe de Gebir ou Gidelli - de quem falaremos mais adiante - mufti de Castela, estabeleceu que muçulmanos hispânicos poderiam se expressar em espanhol em questões religiosas e do Alcorão (Epalza 2008: 103).

A tradução também é importante por ser uma forma de conhecimento, não apenas para fiéis de uma mesma religião, mas também para outros que usam a tradução como forma de discernimento do outro, em vez de conflito. A tradução tem sido usada, por exemplo, entre cristãos, judeus e muçulmanos desde a Idade Média, e também é utilizada como uma forma de aproximar religiões por meio de diálogos inter-religiosos.

Além de ser uma forma de aprender sobre o autor, o texto e o receptor, textos sagrados ressaltam um problema linguístico. A tradução, pelo menos nas religiões que permitem, tem desencadeado consequências na própria língua de chegada. Ao observar o que a tradução das Sagradas Escrituras tem significado ao longo dos séculos, logo percebemos que ela tem servido para reconstruir identidades religiosas, fortalecer o sistema religioso e até mesmo o sistema político, e para consolidar a língua de chegada.

O principal problema com a tradução das Sagradas Escrituras já tem sido ressaltado por autores como São Jerônimo, quando ele nos advertiu em sua famosa carta 49 para Pamáquio (Vega 1994: 88) que até mesmo a ordem das palavras é um mistério nesses textos. Para ele, era difícil revelar o sentido de uma língua que já havia sido perdida. Adaptar a mensagem divina para diferentes línguas e culturas não é uma tarefa fácil de se cumprir. Esses textos, que foram escritos em uma era distante e para uma audiência específica em condições culturais e sociais específicas, não são tão simples de adaptar para outros tempos. Nida e Taber, teóricos da tradução e linguistas da Sociedade Bíblica Americana, tendo percebido esse problema da tradução bíblica, argumentaram que o objetivo essencial é a reprodução da intenção do texto original, advogando pela busca por uma equivalência formal dinâmica (Nida 1969). Talvez essa abordagem não tenha recebido a devida atenção, dado que por séculos – assim como mostra a história – pessoas tradutoras de textos religiosos têm, na maior parte do tempo, optado por traduções literais. Isso ocorre pelo medo de se distanciar das ideias originais do texto para evitar confrontos com a ortodoxia, apesar do uso de paráfrases, o qual depende do nível de compreensão do texto de partida e do conhecimento da língua pela pessoa que está traduzindo.

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[título del epígrafe] A tradução como fonte de conflitos inter-religiosos

A Idade Média foi um período prolífico para a disseminação de ideias religiosas e, consequentemente, para a tradução. A Europa foi possivelmente influenciada pelas invasões e migrações após a queda do Império Romano, bem como pelo surgimento das universidades (século XII) sob a recomendação da igreja católica e pelo papel dos novos teólogos monásticos. A Península Ibérica foi um dos locais mais interessantes para acompanhar as ligações entre as três religiões monoteístas. Em um país onde cristãos, judeus e muçulmanos viveram lado a lado durante sete séculos, é evidente que essa relação deu lugar a desavenças e ao desejo de demarcar distâncias, mas também à colaboração, sobretudo através da tradução.

A disseminação da ciência e da teologia em Al-Andalus seguiu três vias linguísticas: a tradução para o latim, a transmissão do árabe, principalmente por meio de estudiosos judeus e a tradução para o hebraico. A Escola de Tradutores de Toledo colocou à prova seu propósito combativo, mas também trouxe à tona um grande espírito de colaboração, servindo como ponte entre o Oriente e o Ocidente, entre o árabe e o latim. Foi precisamente à luz dessa abordagem que tradutores de origem religiosa, nacionais ou estrangeiros que viviam na Espanha, surgiram em diferentes partes da península. Em um primeiro momento, eles traduziram do árabe para o latim, sob a orientação de Raymond de Sauvetat (até aos primeiros anos do século XIII), e em um segundo momento, sob o patrocínio de Afonso X a partir de 1252, quando se dedicaram à tradução para as  línguas românicas e à revisão de traduções anteriores. Essa tradução colaborativa procedia da seguinte forma: um moçárabe (cristão cuja língua materna era o árabe) ou um judeu (que conhecia o árabe) lia as obras árabes e as interpretava nas línguas românicas, enquanto um cristão (muitas vezes um clérigo), fluente em latim, traduzia para o latim o que ouvia nessas línguas.

Para a igreja católica e a família real, o Islã era um alvo para ser derrotado, e abordar seus textos religiosos foi uma maneira de combater sua influência. Os judeus, que serviam de ponte para a língua árabe, transferiram ativamente seus textos religiosos, com figuras como Avendeut (João de Sevilha), juntamente com Moisés Sephardi e Rabi Bar Hiyya, três hispano-hebreus que coletaram a teologia e a ciência árabes e as transmitiram para a Europa. Dominicanos e franciscanos também se dedicaram a isso. Clérigos europeus como Robert de Ketton (Robert de Chester ou Robert de Retines) – originário de Ketton (Inglaterra), arquidiocese de Pamplona e mais tarde cônego de Tudela – compartilhou com Herman de Caríntia, também conhecido como Hermann, o Dalmata, Hermannus, ou Secundus, o grande projeto de traduzir o Alcorão para o latim, encomendado por Pedro, o Venerável, abade de Cluny.

   El Corán Las Cruzadas
O Alcorão [Fonte] As Cruzadas. [Fonte]

Durante os confrontos com os judeus nos séculos XIV e XV, destacaram-se tradutores como o franciscano São Vicente Ferrer e Pedro de Luna (futuro Papa Bento XIII), que, quando era cardeal, desentendeu-se com o rabino Shem-Tob ibn Shaprut em Pamplona e, mais tarde, em 1413-1414, liderou a famosa “disputa de Tortosa” entre judeus e cristãos. Durante seu pontificado, ele reuniu numerosos tratados “contra iudaeos” em sua biblioteca, embora seja contestável que ele mesmo tenha escrito algum desses tratados.

Dentro das Ordens Religiosas Militares (metade clérigos, metade guerreiros), famosas principalmente no período das Cruzadas, havia tradutores e intérpretes, na maioria dos casos prisioneiros de origem moçárabe, hebraica ou muçulmana, a fim de preservar a profissão e fornecer uma forma de comunicação com o inimigo. Quanto ao Islam, Al-Mamun (783-833) fez uma aproximação com a tradução de textos ocidentais e, após um período em que traduzir suas obras foi proibido, a tradução de suas fontes do Alcorão foi bem-vinda e até mesmo apoiada (Isa Ibn Jabir passou quatro meses traduzindo o Alcorão na capela de João da Cruz em Aiton, Sabóia, entre 1455 e 1456), mas não traduziu suas coleções científicas. Uma fátua do sevilhano Ibn Abdun no início do século XII deixa isso claro, quando determinou que “livros científicos não devem ser vendidos para judeus ou cristãos, exceto aqueles que tratam das suas leis, porque assim traduzem os livros científicos e os atribuem ao seu povo e aos seus bispos” (Lévi-Provençal e García-Gómez 1948:173). Isso mostra o quão comum era essa compra e que se tratava de uma preocupação do ponto de vista moral e religioso

As traduções muçulmanas na península seguiram um padrão muito diferente das elaboradas pelos cristãos. Enquanto esses eram motivados pela curiosidade cultural e pela controvérsia religiosa, os muçulmanos hispânicos eram geralmente muçulmanos em seu contexto interno, apesar da distinção externa: mudéjares (antes de sua conversão oficial ao cristianismo no início do século XVI) ou moriscos ou “novos cristãos mouros” (até a última expulsão dos moriscos no início do século XVII).

Com relação à religião judaica, dois tradutores foram líderes da ortodoxia hebraica, produzindo diversas obras teológicas para a Comunidade Judaica Europeia: Judah ben Tibbon (1120, Granada - 1190, Marsalha), considerado o pai dos tradutores por seu importante trabalho em tradução, e Joseph Qimhi (1105-1170). Ambos se refugiaram em Provença, França, onde também fundaram uma escola familiar após a perseguição dos almóadas. Esses tradutores judeus pioneiros não conheciam o árabe, a língua de prestígio em Al-Andalus, mas seus sucessores sim, que a usavam e dominavam (embora continuassem a escrever seus tratados usando a escrita judaica). Esse foi o caso de Maimonides (1135-1204), o mais importante de todos, que começou as disputas entre rabinos tradicionalistas e racionalistas, e que deixou algumas reflexões interessantes sobre o melhor método de tradução, antecipando em alguns séculos o método que Lutero introduziria no Humanismo.

Dada a intensa atmosfera de mudança e afirmação, também houve casos de deserção e conversão entre diferentes religiões, e a maneira que os convertidos atacaram a religião anterior entraria para a história. Entre os tradutores que se converteram a outra religião estava Alfonso de Valladolid, cujo nome judeu era Abner (Abbner ou Amer de Burgos), também conhecido como Alfonso de Burgos (1270-1346), que nasceu em Burgos e morreu em Valladolid. Ele era médico, e primeiro se tornou rabino e depois clérigo cristão e, após sua conversão, atuou como um crítico feroz ao judaísmo. Seus textos em hebraico, cujos remanescentes são, geralmente, apenas versões em espanhol, foram traduzidos por ele mesmo. Outro judeu convertido ao cristianismo foi Pedro Alfonso de Huesca. Houve também um muçulmano que se converteu ao cristianismo, Joan Andreu (ou Juan Andrés), alfaqui de Xàtiva (Valência), que professou como padre cristão e trabalhou em traduções com o bispo de Huesca (Epalza 2008:93). Entre os casos de tradutores cristãos que se converteram ao judaísmo, Símaco e Áquila merecem destaque, sendo este último contemporâneo de São Jerônimo. Houve também idas e vindas, como a de David al-Mukkamas, considerado o primeiro filósofo judeu (século IX) em Al-Andalus que, após escrever obras de apologética anticristã, converteu-se ao cristianismo e depois retornou ao judaísmo.

No entanto, havia também conciliadores, como Ramon Llull (1232-1316), um franciscano formado em três culturas: latina, muçulmana e bizantina, que se responsabilizou pelo diálogo inter-religioso e fundou um centro em Maiorca, dedicado ao estudo de línguas e culturas para a atividade missionária, e outros cinco centros para o estudo das línguas hebraica, árabe, caldeia e grega:

E enaixi (Y así) com havem un Dèu, un creador, un senyor, haguéssem una fe, una lig, una secta, e una manera de amar e honrar Déu, e fossem amadors e ayudadors los uns dels altres, e enfré nos no fos nulla diferencia ni contrarietat de fe ni de costumes”. (Libro del gentil y de los tres sabios, 4. Cit. en Alonso del Val 2013: 432)

A ele é atribuída a autotradução para o catalão de suas obras originais em árabe: as obras de Lógica, o Livro da Contemplação e o Livro do Gentil e dos Três Homens Sábios.

Juan de Segovia também se destacou por seu trabalho de tradução e por suas reflexões sobre o diálogo necessário entre judeus e cristãos, defendendo posições moderadas de coexistência entre diferentes confissões, incluindo a dos muçulmanos. Com a ajuda do maometano Içe de Gebir ou Gidelli (Epalza 2008: 101), Segovia completou uma tradução interlinear e trilíngue do Alcorão (Santiago-Otero 1996: 67) em árabe, espanhol e latim,  publicada pela Universidade de Salamanca e que foi perdida (talvez em um incêndio).

   La Biblia Políglota Complutense Confucio
A Bíblia Poliglota Complutense [Fonte] Confucio [Fonte]

As Escrituras Poliglotas tornam possíveis tanto o contraste, quanto um sentimento de universalidade. Entre as mais famosas está a Bíblia Poliglota Complutense, encomendada pelo Cardeal Cisneros.

Na era das descobertas geográficas e do contato de missionários europeus na América, África, Terra Santa e Extremo Oriente, especialmente por agostinianos, dominicanos, franciscanos e jesuítas, o padrão predominante foi o do sincretismo e da miscigenação. Na prática, não foi fácil o contato de uma religião monoteísta com outras religiões politeístas, também baseadas em ritos e mitos ancestrais, em geral sem forma escrita: o modo de imposição da lei mostrou-se ineficaz para muitos devido à confusão causada pelas novas representações feitas em línguas também desconhecidas. Por isso, alguns missionários recorreram a fórmulas imaginativas com as quais explicavam como as novas ideias derivavam de ideias locais.

Com muito esforço e contato cultural, a religião católica foi imposta na América a partir do século XVI, mas não foi fácil expandir a fé para o Extremo Oriente: conflitos entre as potências coloniais (sobretudo entre Portugal, Espanha e Países Baixos) e embates entre jesuítas e dominicanos enfraqueceram os ocidentais, que foram explorados pelas hierarquias orientais para manter a ordem em seus territórios, pondo fim aos planos de expansão europeia e interrompendo qualquer tentativa de colonização por meio de reações violentas, como expulsões ou penas de morte.

A resposta de países asiáticos foi fortemente influenciada pela força das culturas orientais e pela sabedoria de povos com sistemas religiosos milenares, neste caso, com Sagradas Escrituras. Os missionários dominicanos, que realizaram um extenso trabalho lexicográfico e gramatical para aprender e usar a língua chinesa, facilitaram a tradução das primeiras obras chinesas para uma língua ocidental (o espanhol): os Analectos de Confúcio e a obra moral que marcou muitas gerações do império asiático, 明心宝鉴 Ming Xin Bao Jian ("Coração Puro e Espelho Rico"), feitas por Juan Cobo, que outro dominicano, Fernández de Navarrete, já havia divulgado em Tratados Históricos, Éticos, Políticos e Religiosos da Monarquia da China. As divergências de posicionamento em relação às cerimônias tradicionais chinesas (especialmente os cultos confucionistas e ancestrais e as formas de traduzir os termos sagrados cristãos para o chinês) provocaram confronto e distanciamento entre os missionários jesuítas, dominicanos e franciscanos, que se dividiram em dois grupos: um liderado pelo jesuíta Matteo Ricci, que adotava a estratégia de adaptação cultural, e um liderado por dominicanos e franciscanos, que era contra essa prática. Essa foi a famosa “Controvérsia dos Ritos Chineses” (Yan 2019).

Até aqui, apresentamos algumas considerações sobre o papel da tradução na transmissão de textos inter-religiosos. Mas, como a influência da tradução tem sido sentida no interior das próprias religiões?

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 [título del epígrafe] Tradução como fonte de conflitos intra-religiosos

A tradução religiosa muitas vezes trouxe a ortodoxia para o centro das atenções, tanto do ponto de vista inter-religioso quanto intra-religioso. No âmbito cristão, o dilema da tradução da Bíblia por São Jerônimo  – conhecida como Vulgata – é bem conhecido por ter proposto uma tradução a partir do sentido, o que foi duramente criticado pela hierarquia eclesiástica. Entre os problemas gerados pela nova versão estava o apontado por um amigo do autor, Santo Agostinho, que reclamava que, com tais interpretações, as diferenças entre a Igreja de Roma e a Igreja do Oriente deixavam de fazer sentido. O surgimento das línguas românicas e a comparação dos textos sagrados clássicos por meio da tradução geraram confusão e caos na ortodoxia católica, que reagiu de forma violenta às novas traduções. No entanto, o impacto da tradução de Lutero da Bíblia para o alemão foi particularmente importante: os desacordos interpretativos do latim para o alemão foram mais do que um simples conflito linguístico, por provocar a maior divisão conhecida na religião cristã, a das Igrejas Católica e Protestante. As chamadas “guerras religiosas”, que durante décadas mergulharam a Europa na destruição e na alienação, foram alimentadas por outra guerra mais sutil: a “guerra da tradução”, na qual muitos tradutores foram queimados na fogueira por suas interpretações de textos sagrados ou teológicos. É irônico que o Concílio de Trento (1546-1548), que marcou a contrarreforma, tenha levado à renovação de uma tradução, a Vulgata, que só alcançou um reconhecimento pleno mil anos depois.

O distanciamento da ortodoxia, por meio da tradução, na interpretação ou no uso das línguas, ocorreu o tempo todo gerando caos e influenciando as relações dos religiosos entre si e deles com as autoridades (da nação, da metrópole ou locais) ou com tribunais, como a Inquisição. Essa questão teve um papel importante na evangelização da América e da Ásia por missionários cristãos católicos, embora a Igreja Protestante, o Islã e o Judaísmo também estivessem presentes nesses territórios, ao mesmo tempo em que entravam em conflito com as religiões nativas americanas e com a Santeria (Santeros).

Na religião islâmica, já dissemos que a Palavra Sagrada só é reconhecida em seu valor no árabe clássico, de modo que não se aceitava a tradução em hipótese alguma; no caso de ser necessário fazê-la — para possibilitar o conhecimento em outras línguas —, ela só poderia ter caráter didático ou instrumental para ajudar a compreender o texto, e não era considerada um Alcorão autêntico, mas apenas uma interpretação dele. A interpretação do Alcorão deu origem ao surgimento de várias ramificações: xiitas, sunitas, sufis, etc., bem como de grupos delas derivadas. A história também relata situações como a citada por Díez de Revenga (1989: 26), sobre Abu Mohamed Ibn Sabin, de Múrcia, que estudou a língua e a literatura em Al-Andalus e mudou-se para Ceuta, onde também alcançou grande fama no mundo islâmico. Sabin tornou-se sufi, ensinou e pregou em todo o Magrebe, vindo a formar um grupo de sufis chamado sabinita. Então, ele finalmente estabeleceu-se em Meca, onde foi muito estimado e escreveu numerosas obras. De acordo com Gaspar Remiro (1980: 309), os trabalhos de Sabin incluem um tratado sobre a vocação, castidade e pobreza dos servos de Deus, assim como um livro apologético que enviou aos doutores cristãos em resposta a seus argumentos contra o grupo dos muçulmanos, contidos nas Questões Sicilianas, no qual evidencia a erudição e a profundidade do conhecimento do autor sobre diferentes sistemas filosóficos. O conflito intra-religioso — assim como o inter-religioso — muitas vezes esconde um conflito político. A questão do nacionalismo esteve frequentemente por trás do problema da tradução. Essa dimensão tem sido objeto de estudos que permitem apontar a tradução nacionalista ou política entre os muitos tipos de tradução religiosa (Bueno 2012).

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[título del epígrafe] Conclusão

O diálogo inter-religioso, que é basicamente a consequência lógica do diálogo intercultural, tem sido um tema de destaque desde a Idade Média: Afonso X fundou um departamento de árabe na Universidade de Salamanca; o Papa Clemente V, no Concílio de Vienne, ordenou a criação de um departamento de línguas orientais nas universidades de Roma, Oxford, Bolonha e Salamanca, sob a influência de Raimundo Llull. No século XXI, o debate frequentemente levantado continua a ocupar a mente de muitos intelectuais (incluindo teóricos da tradução) e até das hierarquias das diferentes denominações religiosas, mas segue sem resolução. Como aponta Flecha (2002: 42): "The multicultural pluralism that can be observed in our society is already seen by many as a challenge to the Western values that were considered unquestionable until now. Diversity is no longer perceived as a simple qualitative increase in plurality, but as the announcement of a more than potential conflict”. Como também foi previsto por Josep Cobo (1995: 29), "diversity is increasingly and clearly becoming a "belligerent diversity'". Acreditamos que a tradução religiosa, em sua missão de difundir conhecimento (e não de fazer propaganda), pode contribuir significativamente para aproximar culturas e religiões, respeitando as ideias originais e a mensagem essencial.

Para um acompanhamento mais amplo dos estudos sobre tradução religiosa, e especialmente sobre ordens religiosas, podem ser consultados os catálogos e publicações disponíveis no portal La traducción monacal en el mundo hispánico (Tradução monástica no mundo hispânico), um recurso publicado em 15 idiomas que é útil tanto para pesquisadores quanto para qualquer pessoa que deseje se aprofundar no tema.

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 potencial para la investigación Potencial de pesquisa

A tradução religiosa possui grande potencial de pesquisa, dada a variedade de tipos de tradução envolvidos nesse trabalho. A seguir, apresenta-se uma lista abrangente de temas de pesquisa (não exaustiva), com diversos links para trabalhos já em andamento, muitos dos quais podem ser consultados no portal La traducción monacal en el mundo hispánico (Tradução monástica no mundo hispânico). O leitor deve ter cuidado ao ler os termos indicados em cada linha, pois cada um contém um link diferente para recursos escritos, sonoros ou visuais.

HISTÓRIA E TRADUÇÃO RELIGIOSA

História da tradução em diferentes religiões

Arqueologia e tradução religiosa

Tradução religiosa em diferentes períodos (Antiguidade, Idade Média, Idade Moderna,  Idade Contemporânea), continentes (Europa, África, América, Ásia, Oceania), países e regiões.

Tradução religiosa como  fonte histórica

Escolas monásticas de tradução

Ordens religiosas (Agostinianos, Franciscanos, Dominicanos, etc.) e tradução

 

TEORIA DA TRADUÇÃO RELIGIOSA

Teoria da tradução religiosa

Significado de tradução religiosa

A reflexão translatológica de autores religiosos.

Os paratextos de trabalhos religiosos (prólogos, prefácios e introduções de tradutores) como textos para reflexão translatológica.

A FIGURA DA TRADUTORA E DO TRADUTOR RELIGIOSOS

Catalogação de traduções de  ordens religiosas ou sistemas religiosos

A figura da tradutora e do tradutor religiosos

O tradutor, a tradutora e intérprete religioso

O  tratamento de outras religiões por tradutoras e tradutores religiosos em suas traduções

Relações entre ordens religiosas por meio da tradução

Textos religiosos  traduzidos para outras línguas

Tradutoras e tradutores religiosos e  versões falsas

Tradutoras e tradutores religiosos de autoras, autores e obras singulares

O  problema da antroponímia

 

TRADUÇÕES DIDÁTICAS E RELIGIOSAS

Didática da tradução aplicada à tradução religiosa

Orientações didáticas da  tradução religiosa

 Missões religiosas educacionais

Ensino e  Tradução Religiosa

Tradução religiosa e  aprendizado de línguas

 

TRADUÇÃO RELIGIOSA COMPARADA

A tradução  religiosa em diferentes línguas

 

VERSÕES LINGUÍSTICAS DE OBRAS RELIGIOSAS

Traduções em diferentes línguas

 

TRADUÇÃO MISSIONÁRIA

 Tradução missionária e linguística missionária

 

TERMINOLOGIA E TRADUÇÃO

Terminologia e tradução

 

TOPONÍMIA RELIGIOSA E TRADUÇÃO

Toponímia da origem religiosa e tradução

 

TRADUÇÃO DE TEXTOS CIENTÍFICOS POR PESSOAS RELIGIOSAS

Tradução textos científicos [religiosos]

Tradução de textos técnicos

 

TRADUÇÃO DE TEXTOS LITERÁRIOS POR PESSOAS RELIGIOSAS

 Tradução literária [religiosa].

Tradução sacro-pastoral.

 Misticismo religioso e tradução

Tradução religiosa e tradição cultural

 

VIAGENS RELIGIOSAS E TRADUÇÃO

Aventuras e literatura de viagem de pessoas religiosas

 

RETÓRICA E TRADUÇÃO DE OBRAS CLERICAIS

Retórica e tradução

 

TRADUÇÃO DAS SAGRADAS ESCRITURAS POR CLÉRIGOS

Escrituras e tradução

História da tradução das Sagradas Escrituras.

 

TRADUÇÃO DE TEXTOS TEOLÓGICOS POR CLÉRIGOS

Tradução de textos teológicos e espiritualidade [religiosa].

 

TRADUÇÃO DE TEXTOS LITÚRGICOS POR CLÉRIGOS

Tradução de obras litúrgicas

 

TRADUÇÃO DAS REGRAS MONÁSTICAS

Tradução da Regra para diferentes línguas

 

TRADUÇÃO DE CATECISMOS POR CLÉRIGOS

Catecismo, orações e tradução

 

PATRÍSTICA E TRADUÇÃO

tradução de textos patrísticos por pessoas religiosas

 

TRADUÇÃO DE TEXTOS FILOSÓFICOS POR CLÉRIGOS

Tradução de textos filosóficos [religiosos]

Traduções de filósofos religiosos

 

ANTROPOLOGIA E TRADUÇÃO POR CLÉRIGOS

Antropologia e tradução em obras religiosas

 

REVELAÇÃO E TRADUÇÃO DE OBRAS CLERICAIS

Revelação e tradução

Tradução e contemplação religiosa

 

CRÍTICA DA TRADUÇÃO RELIGIOSA

Crítica de obras e autores religiosos

 

TRADUÇÃO E INTERPRETAÇÃO INSTITUCIONAL NO CAMPO RELIGIOSO

Tradução institucional

Interpretação institucional

 

LEXICOGRAFIA, LEXICOLOGIA E TRADUÇÃO

Artes, gramática e vocabulários religiosos

 

AUTOTRADUÇÃO DE RELIGIOSOS

Autotradução em obras de clérigos

 

TRADUÇÃO RELIGIOSA INTERSEMIÓTICA

Tradução intersemiótica [religiosa]

Linguagens visuais e tradução

Arte, religião e tradução

Quadrinhos e tradução

 Publicidade religiosa e tradução

Obras audiovisuais e tradução de e sobre  pessoas religiosas

Audiodescrição de  obras religiosas

Artes cênicas e tradução

Desenho e tradução

Escultura e tradução

Fotografia e tradução religiosa

Música e tradução

Canto e tradução

Tradução de  símbolos e gestos religiosos

 

POLÍTICA E TRADUÇÃO RELIGIOSA

Patriotismo e tradução [religiosa]

Discurso geográfico e nacional da pessoa religiosa

 

PODER E TRADUÇÃO RELIGIOSA

Poder e tradução religiosa

 

CONTROLE DA TRADUÇÃO RELIGIOSA

Vigilância e controle da tradução [religiosa]

Inquisição e tradução

Censura e tradução

 

TRADUÇÃO RELIGIOSA E RECEPÇÃO

Tradução para o destinatário da   obra religiosa .

 

TRADUÇÃO RELIGIOSA FEITA POR MULHERES

Traduções por mulheres

 

DOCUMENTAÇÃO DA TRADUÇÃO RELIGIOSA

Arquivos e tradução

Coleções de traduções religiosas e tradutores em bibliotecas monásticas e nacionais.

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